sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

REGRESSO



Regresso  como se uma estranha dança
movesse o mais hesitante dos meus passos.
Regresso à simplicidade dos gestos,
à contemplação da vida junto dos abismos
onde se precipitaram os dias que, para nós,
sempre estiveram destinados.
Regresso, para resgatar os sonhos
que ainda respiram luz à tangente da noite.
Regresso, ao corpo faminto de sol,
ao lume das giestas,
para que este não morra na terra fria,
nem viva na gélida sombra
que me arrasta consigo ao esvair-se no tempo.

 de,  Albino Santos

Poema e imagem in Polyedro 


3 comentários:

Graça Pires disse...

Albino Santos é um excelente poeta. Gostei de o encontrar aqui.
Beijos aos dois.

Delfim Peixoto disse...

Sempre bom ler Albino. Obrigado pela partilha.

Manuel Luis disse...

Regressaste para o quentinho!
Votos de um ano excelente.
Bj