terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Poema de Natal


Não digo do Natal – digo da nata
do tempo que se coalha com o frio
e nos fica branquíssima e exacta
nas mãos que não sabem de que cio

nasceu esta semente; mas que invade
esses tempos relíquidos e pardos
e faz assim que o coração se agrade
de terrenos de pedras e de cardos

por dezembros cobertos. Só então
é que descobre dias de brancura
esta nova pupila, outra visão,

e as cores da terra são feroz loucura
moídas numa só, e feitas pão
com que a vida resiste, e anda, e dura.


Poema de Pedro Tamen

4 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Quase de partida, passo para lhe desejar Festas Felizes.
Até breve

Jaime A. disse...

Quase me faltou o fôlego!
Poema lindo de Pedro Tamen.

Nilson Barcelli disse...

Não conheço o autor, mas é um excelente poema.
Beijo, querida amiga.

-JÚLIA MOURA LOPES- disse...

Deixo-te um beijo :-)