sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Natal


Fotografia pessoal



Não ouço, daqui, o repicar dos sinos,
nem os coros de natal, nem, sequer,
o alvoroço, que o meu riso de criança
transportava. Eu sei : a infância
perdeu-se no lugar onde nasci.
Contudo, a um canto da memória,
está, ainda, resistindo ao sono,
a menina que fui. E, ano após ano,
aguardo, com ela, um menino jesus,
para sempre adormecido no meu peito.

Poema de
Graça Pires in "Quando as estevas entraram no poema, 2005"

3 comentários:

Anónimo disse...

MM

Santo e Feliz Natal.

Tretas

Natal Divino

Natal divino ao rés-do-chão humano,
Sem um anjo a cantar a cada ouvido.
Encolhido
À lareira,
Ao que pergunto
Respondo
Com as achas que vou pondo
Na fogueira.

O mito apenas velado
Como um cadáver
Familiar…
E neve, neve, a caiar
De triste melancolia
Os caminhos onde um dia
Vi os Magos galopar…

Miguel Torga

Carlos Ferreira disse...

Encantador poema este, da Graça Pires.
Seja-me permitido este comentário em jeito de metáfora:
AS MENINAS DEVERIAM PERMANECER SEMPRE MENINAS, COM A SUA VERDADE E A SUA PUREZA NATURAL !

Carlos Ferreira

Jaime A. disse...

Ouvir o Natal cá dentro: o segredo mais bem guardado por aqueles que amam o Natal por aquilo que "ele" é e não por aquilo que traz.
Há, assim a um canto, a menina que o não esquece. Muito belo (mesmo lido em Fevereiro...)