segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Intervalo...


Imagem de Mariana Ximenes


O Universo é feito essencialmente de coisa nenhuma.
Intervalos, distâncias, buracos, porosidade etérea.
Espaço vazio, em suma.
O resto é matéria.
Daí, que este arrepio,
este chamá-lo e tê-lo, erguê-lo e defrontá-lo,
esta fresta de nada aberta no vazio,
deve ser um intervalo.

(António Gedeão in Máquina do Mundo)

11 comentários:

Paula Raposo disse...

Espantosa descrição deste intervalo...beijos.

Pitanga disse...

Às vezes estes intervalos duram uma Eternidade...

beijos

Anónimo disse...

não conhecia este poema. o que tu descobres. gostei da foto.
diverte-te no carnaval
beijokas
dani

Graça Pires disse...

Só pode ser mesmo um intervalo. Gedeão era um sábio...
Um beijo.

Carlos Martins disse...

Mas, por outro lado, este espaço vazio de que, segundo o Poeta, o Universo é feito, tem em si mesmo coisas bem concretas que são a nossa razão de existir.

Carlos Martins

Peter disse...

Neste poema o cientista mistura-se com o poeta, que são os dois a mesma pessoa.
Gosto muito do poeta, sei pouco do cientista.

Numa estrela de neutrões, que é quando uma estrela se aproxima do fim da sua vida, diminui a sua produção de energia, e o núcleo não consegue suportar a pressão da massa exterior da estrela. Começa então um processo de colapso, o diâmetro da estrela vai diminuindo, à medida que as camadas exteriores são comprimidas em direcção ao centro da estrela. Segundo Zwicky e Baade, para estrelas de grande massa (da ordem de 8 vezes a massa do Sol), a matéria do núcleo é comprimida, até ser maioritariamente constituída por neutrões muito próximos uns dos outros. Nesta fase, a repulsão entre os neutrões consegue equilibrar a pressão devido à força gravítica, e a estrela estabiliza sob a forma de estrela de neutrões. O que resta da estrela é um pequeno núcleo constituído por neutrões, de aproximadamente 20 km de diâmetro e 1,4 vezes a massa do Sol. A sua densidade é tão grande, que uma colher de chá de uma estrela de neutrões pesaria mil milhões de toneladas!

Não há "espaços vazios"...

pb disse...

o intervalo interrompe uma sequência, não o prolongues muito....bjs

Maria Clarinda disse...

Lindo este poema para mim desconhecido do Gedeão.
Um beijo

© Piedade Araújo Sol disse...

Bonito poema de um grande poeta.

Não conhecia este.

beijo

telma disse...

fantástico! *

Iana disse...

Poema tão lindo, fiquei lendo e relendo tal palavras...
Obrigada por partilhar esse poema tão rico com todos seus amigos e leitores!!!
Iana
Beijo