sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Não adormeças...


Imagem Google


Não adormeças: o vento ainda no meu quarto
e a luz é fraca e treme e eu tenho medo
das sombras que desfilam pelas paredes como fantasmas
da casa e de tudo aquilo com que sonhes.

Não adormeças já. Diz-me outra vez do rio que palpitava
no coração da aldeia onde nasceste, da roupa que vinha
a cheirar a sonho e a musgo e ao trevo que nunca foi
de quatro folhas; e das ervas mais húmidas e chãs
com que em casa se cozinhavam perfumes que ainda hoje
te mordem os gestos e as palavras.

O meu corpo gela à míngua dos teus dedos, o sol vai
demorar-se a regressar. Há tempo para uma história
que eu não saiba e eu juro que, se não adormeceres,
serei tão leve que não hei-de pesar-te nunca na memória,
como na minha pesará para sempre a pedra do teu rosto
se agora apenas me olhares de longe e adormeceres.


(Maria do Rosário Pedreira
in "A casa e os cheiros dos Livros")

20 comentários:

Isabel-F. disse...

gostei de ler
bom fim de semana
bjs

Paula Raposo disse...

Adorei ler. Belo. Beijos.

António Melenas disse...

Mais uma flor perfumada do teu Roseiral do Amor. Obrigado por mais esta dádiva
Um beijo e um bom fim de semana

AS disse...

Maria do Rosário Pedreira! Sou um fã incondicional! E este poema tem uma expressão poética que toca bem no fundo da alma!


Um beijo para ti...

Manel do Montado disse...

Mais um daqueles poemas que me fazem divagar em pensamentos.
Bj

Daniel Aladiah disse...

Como resistir... adormeço de tanto esperar.
Um beijo
Daniel

Anónimo disse...

É um previlégio visitar este teu Blog, pela doçura e beleza dos textos.

Bravo, Rosa Brava!... Além de Poeta, és uma verdadeira Flôr perfumada.

Muitos parabéns... e uma noite muito feliz.

Do amigo "Montanheiro"

Anónimo disse...

Caro "Montanheiro", sem tirar todo o mérito à Rosa Brava, gostava que repara-se melhor que o texto que comenta sobre ela, é da Maria do Rosário Pedreira.

Anónimo disse...

Vim aqui ler como é meu hábito, desde que alguém me indicou o mundo da blogosfera. É raro comentar até porque não possuo blogue mas gosto de ir lendo os comments que vão deixando e me espantei pelo ultimo comentário.
Será que o "Montanheiro" estava a comentar o poema ou a autora do blogue? Mais me pareceu isso até porque o poema está bem identificado, só um cego não viria1 É mesmo ser do bota abaixo esta critica!!
´

Já que fez um reparo caro "Anonymous" eu farei outro.

Reparasse não se escreve, repara-se, dá para entender?



Por vezes mais vale ficar calado!

Passo disse...

:) ta lindo :) q belas memorias de estorias de adormecer :) q saudades de qd miudo e adormecer a ouvi-las :) lindo .. bjs

Claudinha disse...

Tinha tantas saudades de ver seus blog's menina!! Tive no interior e não tinha pc lá, agora chegando aqui tou matando saudades suas. Muito lindo esta postagem, a imagem, o poema, a musica. Tudo perfeito. Bom gosto e sensibilidade que enche os olhos e o coração.
Beijosss muitossss da Claudinha


(mandei mail para vc esplicando, viu né?)

Anónimo disse...

Maria do Rosário Pedreira...uma referência no mundo da Poesia!!

Bem Ajas...minha Rosa Brava :)...
por o partilhares!

Continuação de boas inspirações...

Beijos da
Maria

Anónimo disse...

Bela inspiração adorei este poema. Beijos

brisa de palavras disse...

Nunca te deixes adormecer para a vida...sente sempre o cheiro da manhã...
um abraço
brisa de palavras

Alexandre Bonafim disse...

Querida Rosa Brava, é uma alegria conhecê-la. Fico muito contente por saber que você gostou de minha crônica "O céu que nos protege". Gostaria de um e-mail seu para contato, a fim de lhe enviar outros textos. Seria uma alegria poder me conrresponder com você. Mande o seu e-mail para o seguinte endereço:
alexandrebonafim@hotmail.com
Muito obrigado.
Carinhoso abraço.

Peter disse...

Uma poetiza que já tive o prazer de guardar aqui nas minhas recordações agradáveis.

Gosto de lê-la.

Maria Costa disse...

Agradavel.

Óptimo dia.

Maria Clarinda disse...

Maravilha de foto, de poema da Maria Rosário Pereira que ainda não conhecia.
Jinhos mil.

APC disse...

É um prazer sofrer-se o desespero latente e latejante das palavras.
Muito bonito!

Conceição Bernardino disse...

Olá,
A perfeição é uma forma imperfeita que se apodera
De tudo o quanto é belo
ConceiçãoB
Uma boa semana
http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com