terça-feira, 10 de julho de 2012

Foz do Teu Olhar


Perdi-me no silêncio que se estendia
Na serra que cobre o Douro,
Quando a tarde fez-se no Sol que se abria
E matizava o chão de ouro.

Perdias-te na saudade que se avizinhava
Ou na aventura que vivias
E, a cada palavra da canção que ocultava,
Simplesmente, sorrias...

E, no ledo passeio,
O beijo foi o ensejo que o tempo escondia...
E, no Molhe deserto,
Abracei-te quando o âmago dizia:

"Escondo o Porto na voz,
Quando abraço o mar...
Eis o Mundo que desemboca na Foz do teu olhar".

Texto de João Garcia Barreto

Onde desvendei o meu Horizonte...

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Um amor feliz...

Pintura de Sergey Marshennikov


Dos meus lábios
ao teu beijo,
vai um sorrir,

Do teu corpo
ao meu desejo,
uma carícia,

Da minha paixão
ao teu furor,
vai um olhar,

Um roçar que seja,
embebido de malícia,
chega para nos transbordar,

Chega para nos verter
na profunda delícia,
de sentir.

Do primeiro momento
à hora de te deixar,
vai um instante,

Fica-nos o passo
a ensaiar partidas,
curto e relutante, na despedida,

Do meu querer ao teu gostar,
vai um carinho, grande e sereno,
…sempre a partir,

Viaja entre nós,
calma, …a certeza,

de um amor feliz.


(Bósnia 1996)


Poema de
Teresa Cunha


Ouvir o poema na voz de Luís Gaspar
Gentileza do Estúdio Raposa
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Carta de Um Contratado


(desligar, p.f., a música de fundo do blogue, para ouvir o vídeo. Obrigada)



sábado, 28 de janeiro de 2012

Silêncio e tanta gente


(desligar, p.f., a música de fundo do blogue, para ouvir o vídeo.Obrigada)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Amar



Só ama quem se entrega, quem se dá,
nada pedindo em troca,
quem, por onde quer que vá,
acima do mais coloca
o desejo de amar e ser amado
sem cuidar de inocência nem pecado.

Poema de
Torquato da Luz
in "Por Amor e outros poemas"



Imagem de Eylülün Hüzün

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Sufocada




Sufocada de poema a voz!
No oceano relâmpago atroz!
Ah! Se a alma cantasse,
Se nossos sonhos elevasse...
De nada a vida quereis.
Ah! Grito mudo que não entendeis.
E, silenciosa, a realidade observa.
E, silencioso, o sonho preserva...
E nasce...
Nasce...
Renasce!

Imagem e Poema de
Ana Tapadas



Pintura de Mireya Juárez Noriega

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Natal

Fotografia pessoal


Não ouço, daqui, o repicar dos sinos,
nem os coros de natal, nem, sequer,
o alvoroço, que o meu riso de criança
transportava. Eu sei : a infância
perdeu-se no lugar onde nasci.
Contudo, a um canto da memória,
está, ainda, resistindo ao sono,
a menina que fui. E, ano após ano,
aguardo, com ela, um menino jesus,
para sempre adormecido no meu peito.



Poema de
Graça Pires
in, "Quando as estevas entraram no poema, 2005"

domingo, 18 de dezembro de 2011

Olhos de Vida...




Vagueio num campo de flores azuis
enquanto aguardo o sono chegar
olhando a estrela que quero admirar.


Esta noite
voltei a ser a rapariga
que foge dos sonhos,
olhando os olhos da Vida,
mas que apesar de tudo
por ela quer ser seduzida
e deixar-se embalar.


Meu corpo de fogo
embala-se nas palavras de gelo
que lhe são sussurradas
e espanta-se
mais uma vez
por sucumbir a um dever
a que não estava destinada.


Boa noite.


Em dia de aniversário de casamento... num 18 de Dezembro algures no tempo...
Pintura de Guido Borelli 

domingo, 13 de novembro de 2011

Outono...



Há uma folha no vento
cor dos olhos da terra
ondula na aragem do tempo
onde a música é chuva
que limpa o pensamento.

Contempla a memória
na distância perdida e,
no pôr do sol da esperança,
o coração sente o apelo
do [a] mar
entre a fragrância das flores
que a brisa quer abraçar.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Quando chegaste




Como se nada pudesse alterar o percurso de uma paixão
enfeito os ombros de mimosas e mudo de perfume
para inquietar quem roce os meus cabelos.

Chegaste: trazias nos olhos toda a claridade
das manhãs da tua infância
e um sorriso de menino triste no contorno da boca.
Chegaste: o meu olhar propício ao teu olhar.
A marca da sede nos meus lábios.
Um frio perturbado, coagulando-me o sangue e o sexo.
Chegaste: lembras-te como, em nossas mãos
se insinuou um rio e, sem tréguas,
os dedos deslizaram lentamente adivinhando
o começo da nascente em nossos corpos ?

Poema de
Graça Pires

Imagem Google

quarta-feira, 27 de abril de 2011

adágio

Imagem de Rodney Smith


ao toque de um adágio único
cresce a ânsia de atingir
sei lá o quê

enlouqueço na linha do horizonte
bebo-te nos sais das tuas lágrimas

tomo-te em minhas mãos
no liquido húmus em que és minha

por fim entrego-me
nesse acolhimento
esgotado sem outro destino
aceitando o sacrifício
em teu nome!


(Poema de c peres feio
2009.06.11 carcavelos)

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Rescaldo de um Ano...

Confesso…

2010 foi um ano difícil para mim, só superado, em muitos aspectos, pela força de vontade e de viver.

Foi um ano de ganhar coragem e superar obstáculos e dúvidas; superar a perda irreparável de Amigos que deixaram esta vida, mas que vivem no meu coração para sempre.

Foi um ano de levantar ombros e empurrar caminhos para a frente, superando tristezas, ganhando alegria.

Mas foi, igualmente, um ano de ganhos de afectos, de amizades, de sorrisos, no apoio constante encontrado naqueles que, dia a dia comigo partilham a solidão de muitos momentos.

Foi um ano de voltar a encontrar-me, na certeza de que, a magia da vida, acontece a cada momento e se 2010 foi um ano de perdas, foi também de ganhos ao reencontrar Amigos perdidos, tristezas superadas, lágrimas secas e sorrisos de novo brilhando na minha alma e no meu sentir.

Adeus 2010.




Espero-te, 2011.


sábado, 18 de dezembro de 2010

E porque é... Natal!



É Natal
Diz-me o coração.

E nestes dias de frio
Natal é aconchego
Amor, fraternidade
Solidariedade…

Até quando é Natal?

Nos meus olhos
Interrogam-se dúvidas.
O coração vibrante de quente
Esquece por momentos
Fomes dolorosas
Batalhas perdidas
Amigos ausentes
Palavras amargas
Crianças feridas.

Por momentos tudo é perfeito.
As luzes brilham numa música suave.

Ao longe faz-se ouvir o cristalino riso
De uma criança que desconhece o fel da Vida.

Riso que entoa e cruza o frio de neve
derretendo-a.

E, por momentos, só por momentos,
O olhar do Menino Jesus sorri,
Deitado nas palhinhas olhando a Virgem Mãe,
Que ternamente, de joelhos, proclama
O seu Nascimento…

É Natal!





A todos desejo um Natal muito Feliz no aconchego dos afectos que possuem.

Até ao próximo...


(Poema de Dezembro de 2009)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Janelas...

(Imagem Google)


Fechei todas as janelas
não deixo entrar a dor
porque na vida
quero mesmo só amor.

Cerrei a última
que minh‘alma permitia.

De lá só sobrevinha escuridão;
meu coração enfraquecia
navegando em marés de
decepção.

Bloqueei sentimentos negativos
palavras destrutivas.

No arco-íris da existência
entro pela porta da esperança.

Ilusões floridas, coração aberto.
Na alegria da Vida,
sorrindo-lhe.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A ternura da Amizade...

A propósito do lançamento de dois livros novos explicava aqui quem era Maria do Rosário Loures, uma Portuguesa radicada há uns anos na Alemanha, mas que mantém através do mundo virtual um vínculo muito especial à Língua Portuguesa.

No passado dia 30 de Julho (dia do meu aniversário) recebi com toda a ternura este poema que convosco partilho.

Obrigada, Maria do Rosário.


Maria do Rosário Loures


À Otília

Por estas terras aonde vivo sonhei com uma Mulher
loura com olhos castanhos cor da tentação
Seu coração tem a cor da ternura
bate, bate pelos cuidados de alguém
o amor para ela é uma casa
que não se abandona quando esta já não brilha
seus valores perduram
bom seria
que esta mulher com quem eu sonhei
acordasse depois da noite passar
ao sol para ela sempre a brilhar
no mar de seus sonhos já a realizar
com os poderes de Fortuna
e a sabedoria de Minerva conservar

de,
Maria do Rosário Loures

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Tempo

Imagem de Igor Zenin

Houve um tempo
que meus olhos sorriam
meu coração rejubilava
a cada palavra que de ti vinha
e eu acreditava.

Houve um tempo
que a tua voz era cetim
quando teu amor apregoavas
sussurrando palavras doces
e ao meu ouvido

 as murmuravas.

Ah…efémeros tempos!
A ingenuidade de acreditar 

que só a mim dirigias
  teu escaldante sentir.

Houve um tempo...



(Memórias de mim...)


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Canto das palavras

Imagem de Leyla Emektar

Do horizonte recebo o sol
que canta ao infinito 
sua canção de embalar,
na suavidade das ondas 
que galgam sob a espuma 
o imo do mar.

Entre a oscilação estonteante

(de silêncio e capricho teu)
na torrente que serpenteia dois mundos
ouço o canto na orla de todas as palavras.

E a distância traz-me de volta
sussurros de promessas
rumo ao porvir que não será meu.



sábado, 7 de agosto de 2010

Meus momentos


Art by Isabel Filipe



Há 
no toque da melodia 
que cintila nos teus dedos
a sensibilidade de veludo

 envolvendo minha pele.

Há 

no doce acariciar das teclas 
o mistério de todas
as músicas 

que envolvem, 
como Sol, 
o pensamento.

Há 

na beleza da harmonia 
cintilante da música
o movimento suave

 dos teus lábios 
no meu corpo.

Sentidos partilhados 

no encanto da utopia.


domingo, 25 de julho de 2010

Fragmentos


Fotografia de Ragnes Sigmond


Na fragrância da música
que sai do teu corpo e toca o meu,
como cristais de água escorrendo,
na miragem de um oásis sedento,
em boca ressequida
numa lagoa sem fundo,
o teu beijo quente
evapora cada gota que se solta 

no orgasmo da minha pele.

És uma âncora secreta
onde me aninho, me deleito, me desnudo,
em cada fragmento do meu verso.