enfeito os ombros de mimosas e mudo de perfume
para inquietar quem roce os meus cabelos.
Chegaste: trazias nos olhos toda a claridade
das manhãs da tua infância
e um sorriso de menino triste no contorno da boca.
Chegaste: o meu olhar propício ao teu olhar.
A marca da sede nos meus lábios.
Um frio perturbado, coagulando-me o sangue e o sexo.
Chegaste: lembras-te como, em nossas mãos
se insinuou um rio e, sem tréguas,
os dedos deslizaram lentamente adivinhando
o começo da nascente em nossos corpos ?
Poema de Graça Pires
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