quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Janelas...

(Imagem Google)


Fechei todas as janelas
não deixo entrar a dor
porque na vida
quero mesmo só amor.

Cerrei a última
que minh‘alma permitia.

De lá só sobrevinha escuridão;
meu coração enfraquecia
navegando em marés de
decepção.

Bloqueei sentimentos negativos
palavras destrutivas.

No arco-íris da existência
entro pela porta da esperança.

Ilusões floridas, coração aberto.
Na alegria da Vida,
sorrindo-lhe.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A ternura da Amizade...

A propósito do lançamento de dois livros novos explicava aqui quem era Maria do Rosário Loures, uma Portuguesa radicada há uns anos na Alemanha, mas que mantém através do mundo virtual um vínculo muito especial à Língua Portuguesa.

No passado dia 30 de Julho (dia do meu aniversário) recebi com toda a ternura este poema que convosco partilho.

Obrigada, Maria do Rosário.


Maria do Rosário Loures


À Otília

Por estas terras aonde vivo sonhei com uma Mulher
loura com olhos castanhos cor da tentação
Seu coração tem a cor da ternura
bate, bate pelos cuidados de alguém
o amor para ela é uma casa
que não se abandona quando esta já não brilha
seus valores perduram
bom seria
que esta mulher com quem eu sonhei
acordasse depois da noite passar
ao sol para ela sempre a brilhar
no mar de seus sonhos já a realizar
com os poderes de Fortuna
e a sabedoria de Minerva conservar

de,
Maria do Rosário Loures

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Tempo

Imagem de Igor Zenin

Houve um tempo
que meus olhos sorriam
meu coração rejubilava
a cada palavra que de ti vinha
e eu acreditava.

Houve um tempo
que a tua voz era cetim
quando teu amor apregoavas
sussurrando palavras doces
e ao meu ouvido

 as murmuravas.

Ah…efémeros tempos!
A ingenuidade de acreditar 

que só a mim dirigias
  teu escaldante sentir.

Houve um tempo...



(Memórias de mim...)


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Canto das palavras

Imagem de Leyla Emektar

Do horizonte recebo o sol
que canta ao infinito 
sua canção de embalar,
na suavidade das ondas 
que galgam sob a espuma 
o imo do mar.

Entre a oscilação estonteante

(de silêncio e capricho teu)
na torrente que serpenteia dois mundos
ouço o canto na orla de todas as palavras.

E a distância traz-me de volta
sussurros de promessas
rumo ao porvir que não será meu.



sábado, 7 de agosto de 2010

Meus momentos


Art by Isabel Filipe



Há 
no toque da melodia 
que cintila nos teus dedos
a sensibilidade de veludo

 envolvendo minha pele.

Há 

no doce acariciar das teclas 
o mistério de todas
as músicas 

que envolvem, 
como Sol, 
o pensamento.

Há 

na beleza da harmonia 
cintilante da música
o movimento suave

 dos teus lábios 
no meu corpo.

Sentidos partilhados 

no encanto da utopia.


domingo, 25 de julho de 2010

Fragmentos


Fotografia de Ragnes Sigmond


Na fragrância da música
que sai do teu corpo e toca o meu,
como cristais de água escorrendo,
na miragem de um oásis sedento,
em boca ressequida
numa lagoa sem fundo,
o teu beijo quente
evapora cada gota que se solta 

no orgasmo da minha pele.

És uma âncora secreta
onde me aninho, me deleito, me desnudo,
em cada fragmento do meu verso.

sábado, 17 de julho de 2010

Muros...

Fotografia de Scarabuss


Às vezes sinto um nó apertar-me o peito e distraio-me da dor, olhando para lá do horizonte, onde o mar se junta ao céu e formam ondas de espuma com que lavo a minha alma de Menina adormecida nos braços da sua Mãe e assim quero permanecer.

Às vezes a dor é tão grande que sai do meu peito e flutua no ar até eu adormecer.

Às vezes o espanto da existência permanece em mim como que alertando-me que há mais vida para além daquilo que já vivi.

Às vezes recordo o tempo em que me doíam o silêncio, a ausência, a palavra-pedra, a grosseria com que a minha alma era ferida, até que um dia, deixou de doer.

Às vezes, mas só às vezes, recordo aquele dia em que, sem saberes, fui ao teu encontro e, na larga Avenida que me levaria a ti, passaste com outra ao lado e o sorriso dos teus olhos não foi a mim que envolveu.

Às vezes, recordo o muro de arame farpado que em mim se cravou, e a dor desse momento, para lembrar-me que não vou voltar a sofrer.

Às vezes, mas só às vezes, penso na beleza do sentimento que se perdeu…

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Fácil


Art by Ragne Sigmond 


É tão fácil acreditar e desacreditar.
É tão fácil aceitarmos a alegria e
tão difícil aceitarmos a perda,
seja ela qual for.

Sonhamos a liberdade,
até a de pensarmos que
temos liberdade de sonhar e sermos livres.
Mas seremos afinal livres?


Sonhar é fácil.
Como voar…

Voamos na aragem do tempo,
na utopia que tudo permite e
nos oferece o acontecer.

É livre o pensamento,
é livre o amor que povoa os corações,
é livre a música que compõe a melodia,
é livre o mar que de onda em onda nos vem banhar,
é livre o olhar que nas cores do mundo se quer encantar.

Sorrimos à liberdade da Vida.
Desejamos ser pássaro e voar
por entre as nuvens, alcançar o firmamento,
transformando-nos num ponto visível do cosmos,
onde tudo pode acontecer.


Há dois tempos de vida eternos.
Nascemos e morremos
sem querermos.
Esta é a verdadeira
Liberdade do Universo.


Tudo o resto 

é o que conquistamos
por acréscimo.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Música e palavras...


Imagem de Tony Hawk


Há no mistério das palavras
viagens indecifráveis
desejos omitidos
tristezas alienadas
alegrias sentidas
lágrimas partilhadas.

Há no mistério da música
a alma da arte do sentir
o pilar que sustenta o enigma
de geração em geração.

O sopro a solo único bendito
do canto da alma de amar
sempre e sempre o Dó e o Fá
que bailam com o Si e o Mi
que velejam em Ré ao
Sol da esperança do Lá…

Na ternura do abraço da conjugação
palavras e música despem-se de preconceitos
e juntas
dançam a melodia do meu coração.


domingo, 30 de maio de 2010

Fonte de Vida

Imagem Rodney Smith


Que dizer da água que chora um tempo vivido?
Ela corre na bica do pensamento.

Triste? Sofrido?
Que importa?


Se no correr límpido
a alegria se lhe junta,

gota a gota,

e como em cada novo amanhecer
o Sol desponta


trazendo novo dia.
Corre, água pura da fonte,
lava a mente de sofrimento
e na alegria do sentir,
momento a momento,
o prazer do sol no horizonte,
rasga o sorriso e sente na pele
a frescura desse líquido puro,
que mata a sede e nos lábios perdura.

.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Cartas de Amor...

Pintura de Charles Joseph Frederick Soulacroix



Há muito que não escrevo cartas de amor.

As últimas que escrevi não obtiveram resposta e decidi que não iria escrever mais.

Sentir o amor dentro de mim e partilhá-lo de uma forma que me faça feliz ou então tomar como se fosse para mim uma carta assim.

Fechar os olhos e imaginar que a brisa me toca, me arrepia, me faz suar, que o meu olhar toca algo de mágico que me leva por sonhos em leito de mel onde duas bocas se fundem num hino de amor.

Imaginar-me tocada pelo vento e nos meus cabelos a brisa em mim soprasse como duas mãos que ternamente me cingissem e na leveza do meu corpo se acostasse como a rocha que segura as ondas do mar …

Amo o amor que me faz sentir tanto amor. Amo as palavras que não transparecem do meu ser sedento da magia que o amor cativa a cada instante.

Amo o finito e o infinito porque amo cada instante, cada pulsar, que na brisa se deleita.

Sinto o amor.

Mas não o escrevo, nunca mais, numa carta.

Escrevo-o com o meu sangue na raiz do tempo e das memórias.

E aqui.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Poema de Natal...

(colecção particular)

Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,
menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.

Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.

O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.

("Falavam-me de Amor", de Natália Correia
in, "O Dilúvio e a Pomba"
Publicações D. Quixote, 1979)



quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Volúpia...

(Desligar a música da página, ao fundo do lado direito)

Era já tarde e tu continuavas
entre os meus braços trémulos, cansados...
E eu, sonolenta, já de olhos fechados,
bebia ainda os beijos que me davas!

Passaram horas!… Nossas bocas flavas,
Muito unidas, em haustos repousados,
Queimavam os meus sonhos macerados,
Como rescaldos de candentes lavas.

Veio a manhã e o sol, feroz, risonho,
entrou na minha alcova adormecida,
quebrando o lírio roxo do meu sonho...

Mas deslumbrou-se... e em rúbidos adejos
Ajoelhou-se... e numa luz vencida,
Sorveu…sorveu o mel dos nossos beijos!

(Poema de Judith Teixeira in "Madrugada" 1925)

(Poema originalmento colocado aqui)

domingo, 8 de novembro de 2009

Espero-te

Imagem de Marcin Nawrocki


Espero-te na praia deserta dos meus sonhos
quando o sol entra no mar, cansado,

 e dá lugar à lua para que me envolvas 
nos teus braços

Espero-te para lá de todas as mágoas
que o coração sente 

e a boca antes de beijar mente 
em palavras que o coração não dita

Espero-te no desejo carnal do teu abraço
que a lua encobre, zelosa, desviando o
olhar, para que possas cobrir meu corpo
no teu beijar

Espero-te na singela leveza do pensamento
que voa para lá do infinito e se queda
balbuciante,

 no fogo paciente do corpo
que te anseia.

Espero-te ao pôr-do-sol do
pensamento…

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Flores


Feitas de tantas formas graciosas,
- Das tulipas aos brincos-de-princesa -
Pétalas de veludo, como as rosas,
Ou dos jasmins a terna singeleza.

Tingidas de mil cores, são tão vistosas
Que os artistas lhes pintam a beleza;
Fragrâncias delicadas, preciosas,
São símbolos de afecto e de pureza.

Celebram os amores, decoram lares,
Ornamentam os deuses, nos altares,
Chegando a adornar até a morte!

A Sábia Natureza, no entanto,
Efémero criou todo este encanto,
Talvez lembrando a nossa própria sorte!

Soneto de João Oliveira

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Momentos




Na sinfonia apetecida
por entre folhas 
que o vento desliza,  
meu pensamento corre sereno, 
adivinhando a ternura do coração.

Pelos raios do sol encoberto
pulsam nuvens azuis
que bailam nos meus olhos.

Na calma da maré
reencontro-me 
e nos seus braços me quedo.


Art by Hory Ma

domingo, 27 de setembro de 2009

Palavras

Imagem Google de autor desconhecido

Em horas escolhidas ao acaso
recordo palavras que me trazem
outras palavras, outros sons,
outras sombras;
palavras redondas como os seios
das meninas, em cujos olhos
se anuncia um brilho inquietante;
palavras que resvalam pela fala
e transformam o vulto
incerto das mãos em pássaros
ébrios de fogo, ou explodindo de luz
como se fossem astros;
palavras sangrando na boca,
ou um desvio, tecido às cegas,
para deixar entrar a noite.

(
Graça Pires
in "Não sabia que a noite podia incendiar-se nos meus olhos" Pág 30)

terça-feira, 14 de julho de 2009

Tarde Solar

Ragne Sigmond


Norte que caminhas
desnorte que imaginas
por vielas e lugares
percorridos no silêncio
dos porquês
o desejo de não afastar
a esperança que o destino
antevê.
Norte desnorte
Vida que é oferecida
em momentos sublimes
de fantasia nunca perdida.

domingo, 5 de julho de 2009

Encontro



Um barco desliza nas águas ao de leve sonoras.
Enquanto a noite desce como um lençol suavemente escuro
apagando o rio, que era azul
e agora já é um espelho prateado deitado sobre o mundo.
Alongado pela vastidão que se recolhe nos olhos de quem só olha.

Há em tudo uma paz impossível, e eu vejo o teu rosto e tu pareces não ser.
Olho-te de novo, e tu olhas-me assim:
tão perto e tão longe, no fundo de mim, que me deixas mais nu.
Eu sei:
és aquela que me ama do fundo das águas
que agora nos unem.
Eu sou aquele que procura
e te dá o silêncio inteiro das minhas duas mãos nas tuas.
Pois, no fim desta escuridão
somos sempre sozinhos.
A partir de agora, entre nós
não haverá mais segredos.

Poema e foto de
José Alberto Mar
- In, Colectânea "Os Dias do Amor". Pág. 304,
Editora Ministério dos Livros.2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Pina Bausch

As palavras de um Poeta numa homenagem que muito me sensibilizou…

Imagem de Paul Alfredde Curzo

A minha amiga a escritora Amélia Pinto Pais informou-me de manhã - morreu PINA BAUSCH - a grande coreógrafa dos nossos tempos! E comentou “ todos se vão...”

Garantido é que vamos todos!
Ao menos que o Destino nos conserve enquanto a vida tem qualidade física e psíquica e que nos requisite de seguida!

Sou fan de Pina desde que há muito dei por ela, e louvo a tecnologia que nos permite ver/ouvir/sentir os artistas e as obras em registos que repetimos pela vida fora, mesmo depois do desaparecimento físico!

Os meus versos de 1998, celebram isso!
espanto
espanto
é conhecer
que um dia
haverá um momento
único
na terra:
o último que se lembrava
de nós
morreu

momento a que chamamos
o nosso encontro
com o cosmos

Palavras e Poema de 
carlos peres feio