domingo, 18 de dezembro de 2011

Olhos de Vida...




Vagueio num campo de flores azuis
enquanto aguardo o sono chegar
olhando a estrela que quero admirar.


Esta noite
voltei a ser a rapariga
que foge dos sonhos,
olhando os olhos da Vida,
mas que apesar de tudo
por ela quer ser seduzida
e deixar-se embalar.


Meu corpo de fogo
embala-se nas palavras de gelo
que lhe são sussurradas
e espanta-se
mais uma vez
por sucumbir a um dever
a que não estava destinada.


Boa noite.


Em dia de aniversário de casamento... num 18 de Dezembro algures no tempo...
Pintura de Guido Borelli 

domingo, 13 de novembro de 2011

Outono...



Há uma folha no vento
cor dos olhos da terra
ondula na aragem do tempo
onde a música é chuva
que limpa o pensamento.

Contempla a memória
na distância perdida e,
no pôr do sol da esperança,
o coração sente o apelo
do [a] mar
entre a fragrância das flores
que a brisa quer abraçar.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Quando chegaste




Como se nada pudesse alterar o percurso de uma paixão
enfeito os ombros de mimosas e mudo de perfume
para inquietar quem roce os meus cabelos.

Chegaste: trazias nos olhos toda a claridade
das manhãs da tua infância
e um sorriso de menino triste no contorno da boca.
Chegaste: o meu olhar propício ao teu olhar.
A marca da sede nos meus lábios.
Um frio perturbado, coagulando-me o sangue e o sexo.
Chegaste: lembras-te como, em nossas mãos
se insinuou um rio e, sem tréguas,
os dedos deslizaram lentamente adivinhando
o começo da nascente em nossos corpos ?

Poema de
Graça Pires

Imagem Google

quarta-feira, 27 de abril de 2011

adágio

Imagem de Rodney Smith


ao toque de um adágio único
cresce a ânsia de atingir
sei lá o quê

enlouqueço na linha do horizonte
bebo-te nos sais das tuas lágrimas

tomo-te em minhas mãos
no liquido húmus em que és minha

por fim entrego-me
nesse acolhimento
esgotado sem outro destino
aceitando o sacrifício
em teu nome!


(Poema de c peres feio
2009.06.11 carcavelos)

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Rescaldo de um Ano...

Confesso…

2010 foi um ano difícil para mim, só superado, em muitos aspectos, pela força de vontade e de viver.

Foi um ano de ganhar coragem e superar obstáculos e dúvidas; superar a perda irreparável de Amigos que deixaram esta vida, mas que vivem no meu coração para sempre.

Foi um ano de levantar ombros e empurrar caminhos para a frente, superando tristezas, ganhando alegria.

Mas foi, igualmente, um ano de ganhos de afectos, de amizades, de sorrisos, no apoio constante encontrado naqueles que, dia a dia comigo partilham a solidão de muitos momentos.

Foi um ano de voltar a encontrar-me, na certeza de que, a magia da vida, acontece a cada momento e se 2010 foi um ano de perdas, foi também de ganhos ao reencontrar Amigos perdidos, tristezas superadas, lágrimas secas e sorrisos de novo brilhando na minha alma e no meu sentir.

Adeus 2010.




Espero-te, 2011.


sábado, 18 de dezembro de 2010

E porque é... Natal!



É Natal
Diz-me o coração.

E nestes dias de frio
Natal é aconchego
Amor, fraternidade
Solidariedade…

Até quando é Natal?

Nos meus olhos
Interrogam-se dúvidas.
O coração vibrante de quente
Esquece por momentos
Fomes dolorosas
Batalhas perdidas
Amigos ausentes
Palavras amargas
Crianças feridas.

Por momentos tudo é perfeito.
As luzes brilham numa música suave.

Ao longe faz-se ouvir o cristalino riso
De uma criança que desconhece o fel da Vida.

Riso que entoa e cruza o frio de neve
derretendo-a.

E, por momentos, só por momentos,
O olhar do Menino Jesus sorri,
Deitado nas palhinhas olhando a Virgem Mãe,
Que ternamente, de joelhos, proclama
O seu Nascimento…

É Natal!





A todos desejo um Natal muito Feliz no aconchego dos afectos que possuem.

Até ao próximo...


(Poema de Dezembro de 2009)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Janelas...

(Imagem Google)


Fechei todas as janelas
não deixo entrar a dor
porque na vida
quero mesmo só amor.

Cerrei a última
que minh‘alma permitia.

De lá só sobrevinha escuridão;
meu coração enfraquecia
navegando em marés de
decepção.

Bloqueei sentimentos negativos
palavras destrutivas.

No arco-íris da existência
entro pela porta da esperança.

Ilusões floridas, coração aberto.
Na alegria da Vida,
sorrindo-lhe.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A ternura da Amizade...

A propósito do lançamento de dois livros novos explicava aqui quem era Maria do Rosário Loures, uma Portuguesa radicada há uns anos na Alemanha, mas que mantém através do mundo virtual um vínculo muito especial à Língua Portuguesa.

No passado dia 30 de Julho (dia do meu aniversário) recebi com toda a ternura este poema que convosco partilho.

Obrigada, Maria do Rosário.


Maria do Rosário Loures


À Otília

Por estas terras aonde vivo sonhei com uma Mulher
loura com olhos castanhos cor da tentação
Seu coração tem a cor da ternura
bate, bate pelos cuidados de alguém
o amor para ela é uma casa
que não se abandona quando esta já não brilha
seus valores perduram
bom seria
que esta mulher com quem eu sonhei
acordasse depois da noite passar
ao sol para ela sempre a brilhar
no mar de seus sonhos já a realizar
com os poderes de Fortuna
e a sabedoria de Minerva conservar

de,
Maria do Rosário Loures

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Tempo

Imagem de Igor Zenin

Houve um tempo
que meus olhos sorriam
meu coração rejubilava
a cada palavra que de ti vinha
e eu acreditava.

Houve um tempo
que a tua voz era cetim
quando teu amor apregoavas
sussurrando palavras doces
e ao meu ouvido

 as murmuravas.

Ah…efémeros tempos!
A ingenuidade de acreditar 

que só a mim dirigias
  teu escaldante sentir.

Houve um tempo...



(Memórias de mim...)


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Canto das palavras

Imagem de Leyla Emektar

Do horizonte recebo o sol
que canta ao infinito 
sua canção de embalar,
na suavidade das ondas 
que galgam sob a espuma 
o imo do mar.

Entre a oscilação estonteante

(de silêncio e capricho teu)
na torrente que serpenteia dois mundos
ouço o canto na orla de todas as palavras.

E a distância traz-me de volta
sussurros de promessas
rumo ao porvir que não será meu.



sábado, 7 de agosto de 2010

Meus momentos


Art by Isabel Filipe



Há 
no toque da melodia 
que cintila nos teus dedos
a sensibilidade de veludo

 envolvendo minha pele.

Há 

no doce acariciar das teclas 
o mistério de todas
as músicas 

que envolvem, 
como Sol, 
o pensamento.

Há 

na beleza da harmonia 
cintilante da música
o movimento suave

 dos teus lábios 
no meu corpo.

Sentidos partilhados 

no encanto da utopia.


domingo, 25 de julho de 2010

Fragmentos


Fotografia de Ragnes Sigmond


Na fragrância da música
que sai do teu corpo e toca o meu,
como cristais de água escorrendo,
na miragem de um oásis sedento,
em boca ressequida
numa lagoa sem fundo,
o teu beijo quente
evapora cada gota que se solta 

no orgasmo da minha pele.

És uma âncora secreta
onde me aninho, me deleito, me desnudo,
em cada fragmento do meu verso.

sábado, 17 de julho de 2010

Muros...

Fotografia de Scarabuss


Às vezes sinto um nó apertar-me o peito e distraio-me da dor, olhando para lá do horizonte, onde o mar se junta ao céu e formam ondas de espuma com que lavo a minha alma de Menina adormecida nos braços da sua Mãe e assim quero permanecer.

Às vezes a dor é tão grande que sai do meu peito e flutua no ar até eu adormecer.

Às vezes o espanto da existência permanece em mim como que alertando-me que há mais vida para além daquilo que já vivi.

Às vezes recordo o tempo em que me doíam o silêncio, a ausência, a palavra-pedra, a grosseria com que a minha alma era ferida, até que um dia, deixou de doer.

Às vezes, mas só às vezes, recordo aquele dia em que, sem saberes, fui ao teu encontro e, na larga Avenida que me levaria a ti, passaste com outra ao lado e o sorriso dos teus olhos não foi a mim que envolveu.

Às vezes, recordo o muro de arame farpado que em mim se cravou, e a dor desse momento, para lembrar-me que não vou voltar a sofrer.

Às vezes, mas só às vezes, penso na beleza do sentimento que se perdeu…

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Fácil


Art by Ragne Sigmond 


É tão fácil acreditar e desacreditar.
É tão fácil aceitarmos a alegria e
tão difícil aceitarmos a perda,
seja ela qual for.

Sonhamos a liberdade,
até a de pensarmos que
temos liberdade de sonhar e sermos livres.
Mas seremos afinal livres?


Sonhar é fácil.
Como voar…

Voamos na aragem do tempo,
na utopia que tudo permite e
nos oferece o acontecer.

É livre o pensamento,
é livre o amor que povoa os corações,
é livre a música que compõe a melodia,
é livre o mar que de onda em onda nos vem banhar,
é livre o olhar que nas cores do mundo se quer encantar.

Sorrimos à liberdade da Vida.
Desejamos ser pássaro e voar
por entre as nuvens, alcançar o firmamento,
transformando-nos num ponto visível do cosmos,
onde tudo pode acontecer.


Há dois tempos de vida eternos.
Nascemos e morremos
sem querermos.
Esta é a verdadeira
Liberdade do Universo.


Tudo o resto 

é o que conquistamos
por acréscimo.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Música e palavras...


Imagem de Tony Hawk


Há no mistério das palavras
viagens indecifráveis
desejos omitidos
tristezas alienadas
alegrias sentidas
lágrimas partilhadas.

Há no mistério da música
a alma da arte do sentir
o pilar que sustenta o enigma
de geração em geração.

O sopro a solo único bendito
do canto da alma de amar
sempre e sempre o Dó e o Fá
que bailam com o Si e o Mi
que velejam em Ré ao
Sol da esperança do Lá…

Na ternura do abraço da conjugação
palavras e música despem-se de preconceitos
e juntas
dançam a melodia do meu coração.


domingo, 30 de maio de 2010

Fonte de Vida

Imagem Rodney Smith


Que dizer da água que chora um tempo vivido?
Ela corre na bica do pensamento.

Triste? Sofrido?
Que importa?


Se no correr límpido
a alegria se lhe junta,

gota a gota,

e como em cada novo amanhecer
o Sol desponta


trazendo novo dia.
Corre, água pura da fonte,
lava a mente de sofrimento
e na alegria do sentir,
momento a momento,
o prazer do sol no horizonte,
rasga o sorriso e sente na pele
a frescura desse líquido puro,
que mata a sede e nos lábios perdura.

.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Cartas de Amor...

Pintura de Charles Joseph Frederick Soulacroix



Há muito que não escrevo cartas de amor.

As últimas que escrevi não obtiveram resposta e decidi que não iria escrever mais.

Sentir o amor dentro de mim e partilhá-lo de uma forma que me faça feliz ou então tomar como se fosse para mim uma carta assim.

Fechar os olhos e imaginar que a brisa me toca, me arrepia, me faz suar, que o meu olhar toca algo de mágico que me leva por sonhos em leito de mel onde duas bocas se fundem num hino de amor.

Imaginar-me tocada pelo vento e nos meus cabelos a brisa em mim soprasse como duas mãos que ternamente me cingissem e na leveza do meu corpo se acostasse como a rocha que segura as ondas do mar …

Amo o amor que me faz sentir tanto amor. Amo as palavras que não transparecem do meu ser sedento da magia que o amor cativa a cada instante.

Amo o finito e o infinito porque amo cada instante, cada pulsar, que na brisa se deleita.

Sinto o amor.

Mas não o escrevo, nunca mais, numa carta.

Escrevo-o com o meu sangue na raiz do tempo e das memórias.

E aqui.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Poema de Natal...

(colecção particular)

Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,
menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.

Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.

O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.

("Falavam-me de Amor", de Natália Correia
in, "O Dilúvio e a Pomba"
Publicações D. Quixote, 1979)



quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Volúpia...

(Desligar a música da página, ao fundo do lado direito)

Era já tarde e tu continuavas
entre os meus braços trémulos, cansados...
E eu, sonolenta, já de olhos fechados,
bebia ainda os beijos que me davas!

Passaram horas!… Nossas bocas flavas,
Muito unidas, em haustos repousados,
Queimavam os meus sonhos macerados,
Como rescaldos de candentes lavas.

Veio a manhã e o sol, feroz, risonho,
entrou na minha alcova adormecida,
quebrando o lírio roxo do meu sonho...

Mas deslumbrou-se... e em rúbidos adejos
Ajoelhou-se... e numa luz vencida,
Sorveu…sorveu o mel dos nossos beijos!

(Poema de Judith Teixeira in "Madrugada" 1925)

(Poema originalmento colocado aqui)