
Imagem de Tony Hawk
Há no mistério das palavras
viagens indecifráveis
desejos omitidos
tristezas alienadas
alegrias sentidas
lágrimas partilhadas.
Há no mistério da música
a alma da arte do sentir
o pilar que sustenta o enigma
de geração em geração.
O sopro a solo único bendito
do canto da alma de amar
sempre e sempre o Dó e o Fá
que bailam com o Si e o Mi
que velejam em Ré ao
Sol da esperança do Lá…
Na ternura do abraço da conjugação
palavras e música despem-se de preconceitos
e juntas
dançam a melodia do meu coração.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Música e palavras...
domingo, 30 de maio de 2010
Fonte de Vida
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Cartas de Amor...
Há muito que não escrevo cartas de amor.
As últimas que escrevi não obtiveram resposta e decidi que não iria escrever mais.
Sentir o amor dentro de mim e partilhá-lo de uma forma que me faça feliz ou então tomar como se fosse para mim uma carta assim.
Fechar os olhos e imaginar que a brisa me toca, me arrepia, me faz suar, que o meu olhar toca algo de mágico que me leva por sonhos em leito de mel onde duas bocas se fundem num hino de amor.
Imaginar-me tocada pelo vento e nos meus cabelos a brisa em mim soprasse como duas mãos que ternamente me cingissem e na leveza do meu corpo se acostasse como a rocha que segura as ondas do mar …
Amo o amor que me faz sentir tanto amor. Amo as palavras que não transparecem do meu ser sedento da magia que o amor cativa a cada instante.
Amo o finito e o infinito porque amo cada instante, cada pulsar, que na brisa se deleita.
Sinto o amor.
Mas não o escrevo, nunca mais, numa carta.
Escrevo-o com o meu sangue na raiz do tempo e das memórias.
E aqui.
domingo, 20 de dezembro de 2009
Poema de Natal...
Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,
menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.
Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.
O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.
("Falavam-me de Amor", de Natália Correia
in, "O Dilúvio e a Pomba"
Publicações D. Quixote, 1979)
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Volúpia...
(Desligar a música da página, ao fundo do lado direito)
Era já tarde e tu continuavas
entre os meus braços trémulos, cansados...
E eu, sonolenta, já de olhos fechados,
bebia ainda os beijos que me davas!
Passaram horas!… Nossas bocas flavas,
Muito unidas, em haustos repousados,
Queimavam os meus sonhos macerados,
Como rescaldos de candentes lavas.
Veio a manhã e o sol, feroz, risonho,
entrou na minha alcova adormecida,
quebrando o lírio roxo do meu sonho...
Mas deslumbrou-se... e em rúbidos adejos
Ajoelhou-se... e numa luz vencida,
Sorveu…sorveu o mel dos nossos beijos!
(Poema de Judith Teixeira in "Madrugada" 1925)
(Poema originalmento colocado aqui)
domingo, 8 de novembro de 2009
Espero-te
Espero-te na praia deserta dos meus sonhos
quando o sol entra no mar, cansado,
e dá lugar à lua para que me envolvas
nos teus braços
Espero-te para lá de todas as mágoas
que o coração sente
e a boca antes de beijar mente
em palavras que o coração não dita
Espero-te no desejo carnal do teu abraço
que a lua encobre, zelosa, desviando o
olhar, para que possas cobrir meu corpo
no teu beijar
Espero-te na singela leveza do pensamento
que voa para lá do infinito e se queda
balbuciante,
no fogo paciente do corpo
que te anseia.
Espero-te ao pôr-do-sol do
pensamento…
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Flores
- Das tulipas aos brincos-de-princesa -
Pétalas de veludo, como as rosas,
Ou dos jasmins a terna singeleza.
Tingidas de mil cores, são tão vistosas
Que os artistas lhes pintam a beleza;
Fragrâncias delicadas, preciosas,
São símbolos de afecto e de pureza.
Celebram os amores, decoram lares,
Ornamentam os deuses, nos altares,
Chegando a adornar até a morte!
A Sábia Natureza, no entanto,
Efémero criou todo este encanto,
Talvez lembrando a nossa própria sorte!
Soneto de João Oliveira
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Momentos
domingo, 27 de setembro de 2009
Palavras
Em horas escolhidas ao acaso
recordo palavras que me trazem
outras palavras, outros sons,
outras sombras;
palavras redondas como os seios
das meninas, em cujos olhos
se anuncia um brilho inquietante;
palavras que resvalam pela fala
e transformam o vulto
incerto das mãos em pássaros
ébrios de fogo, ou explodindo de luz
como se fossem astros;
palavras sangrando na boca,
ou um desvio, tecido às cegas,
para deixar entrar a noite.
(Graça Pires
in "Não sabia que a noite podia incendiar-se nos meus olhos" Pág 30)
terça-feira, 14 de julho de 2009
Tarde Solar
domingo, 5 de julho de 2009
Encontro
Um barco desliza nas águas ao de leve sonoras.
Enquanto a noite desce como um lençol suavemente escuro
apagando o rio, que era azul
e agora já é um espelho prateado deitado sobre o mundo.
Alongado pela vastidão que se recolhe nos olhos de quem só olha.
Há em tudo uma paz impossível, e eu vejo o teu rosto e tu pareces não ser.
Olho-te de novo, e tu olhas-me assim:
tão perto e tão longe, no fundo de mim, que me deixas mais nu.
Eu sei:
és aquela que me ama do fundo das águas
que agora nos unem.
Eu sou aquele que procura
e te dá o silêncio inteiro das minhas duas mãos nas tuas.
Pois, no fim desta escuridão
somos sempre sozinhos.
A partir de agora, entre nós
não haverá mais segredos.
Poema e foto de José Alberto Mar
- In, Colectânea "Os Dias do Amor". Pág. 304,
Editora Ministério dos Livros.2009
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Pina Bausch
A minha amiga a escritora Amélia Pinto Pais informou-me de manhã - morreu PINA BAUSCH - a grande coreógrafa dos nossos tempos! E comentou “ todos se vão...”
Garantido é que vamos todos!
Ao menos que o Destino nos conserve enquanto a vida tem qualidade física e psíquica e que nos requisite de seguida!
Sou fan de Pina desde que há muito dei por ela, e louvo a tecnologia que nos permite ver/ouvir/sentir os artistas e as obras em registos que repetimos pela vida fora, mesmo depois do desaparecimento físico!
Os meus versos de 1998, celebram isso!
espanto
é conhecer
que um dia
haverá um momento
único
na terra:
o último que se lembrava
de nós
morreu
momento a que chamamos
o nosso encontro
com o cosmos
Palavras e Poema de carlos peres feio
sábado, 20 de junho de 2009
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Horas...
os pássaros
despertaram
encetando
o voo matinal,
entre raios de sol
que se abrigam, nas
nuvens da Vida.
A esta hora
o mar ondulou
na areia fina
entre os pés
da solidão...
A esta hora
que não é a de todas
as perfeições,
as pedras
gritaram
as ausências
sentidas...
José-António Moreira in Sons da Escrita
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Vénus
porque me fazes falta, nunca confessarei
sempre tive à perna a minha consciência
é hoje que me livro dela
fiquei a saber que o planeta Vénus
é horrível, sem atmosfera e repleto
de ácidos sulfurosos
e todos sabemos que desde a antiguidade
também chamamos Vénus
à deusa do amor.
isto faz sentido?
então porquê o espanto
ao saber que até há pouco
eras só um nome, e agora
venero-te como deusa do Amor
enveneno-me
como num planeta tóxico
para mim és Vénus
e moras noutra galáxia.
c peres feio
segunda-feira, 25 de maio de 2009
O vento da utopia
É primavera.
No meu coração florescem
raízes de memórias
mescladas de rosas e jasmins
no perpétuo movimento
da engrenagem do tempo.
Um leve toque
um pequeno som
distinguem-se de
tantos sentimentos
que perduram no vento
da utopia.
Breve é o sonho
que nos aproxima.
Um sorriso
dilata a artéria
desta imensa vida,
onde nada se perde,
tudo se transforma,
até a existência perdida.
terça-feira, 28 de abril de 2009
Há palavras...
Há palavras que doem mais que setas atiradas sem imaginarem que alvos possam atingir.
Há palavras que trazem um pó mágico de alegria que se dão sem perguntarem para que são nascidas.
E há palavras que não são palavras, porque nada dizem, nada trazem e delas nada fica.
Frias, calculistas, intrusas de significados que se balançam de um lado para o outro, mascaradas de verdades mas que delas nada se retira, a não ser a poalha da estrada que o vento leva por outro caminho.
Não sei lidar com estas palavras, como não sei lidar com a frieza delas, com o medo do seu alcance, com a destruição dos pensamentos que cada palavra alberga em si…
Nada sei dizer
da palavra
disputada
apodrecida
veloz
como espada espetada
no coração.
Palavras que o vento não leva.
Arrastam-se como estigma de frieza
mascaradas como verdades absolutas
nuas, dissimuladas
no perpétuo movimento
ousado, transcrito
onde permanecerão.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Onde...
não é poesia
onde a audácia do poema não é única
não é poesia
onde a poesia não é inocência de natureza fluvial
não é poesia
onde a poesia não é escandalosamente pura
não é poesia
onde a poesia não é filha do deserto nem da sede
não é poesia
onde a poesia não é presença viva que nasce da solidão e da ausência
não é poesia
onde a poesia não se oferece no seu abandono
não é poesia
onde a poesia não é poesia
não é poesia
(António Ramos Rosa
in "O Sol é Todo o Espaço")
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Pássaro livre

Imagem de Mário Galante
Pelo vento eu sossego
as ideias,
no vento eu trago
os ideais e para o vento
eu levo as minhas palavras,
sou um pássaro livre
que voa intrépido
e se desilude
e se alegra na vida.
Sem vento também voo
com estas asas de paixão adiada
e também me iludo
e cubro a intemporalidade
num grito de liberdade!
(Poema de Paula Raposo in As Minhas Romãs)
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Fidelidade
Imagem de Markeva Uhlirova
Diz-me devagar coisa nenhuma, assim
como a só presença com que me perdoas
esta fidelidade ao meu destino.
Quanto assim não digas é por mim
que o dizes. E os destinos vivem-se
como outra vida. Ou como solidão.
E quem lá entra? E quem lá pode estar
mais que o momento de estar só consigo?
Diz-me assim devagar coisa nenhuma:
o que à morte se diria, se ela ouvisse,
(Poema de Jorge de Sena)

















