Há muito que não escrevo cartas de amor.
As últimas que escrevi não obtiveram resposta e decidi que não iria escrever mais.
Sentir o amor dentro de mim e partilhá-lo de uma forma que me faça feliz ou então tomar como se fosse para mim uma carta assim.
Fechar os olhos e imaginar que a brisa me toca, me arrepia, me faz suar, que o meu olhar toca algo de mágico que me leva por sonhos em leito de mel onde duas bocas se fundem num hino de amor.
Imaginar-me tocada pelo vento e nos meus cabelos a brisa em mim soprasse como duas mãos que ternamente me cingissem e na leveza do meu corpo se acostasse como a rocha que segura as ondas do mar …
Amo o amor que me faz sentir tanto amor. Amo as palavras que não transparecem do meu ser sedento da magia que o amor cativa a cada instante.
Amo o finito e o infinito porque amo cada instante, cada pulsar, que na brisa se deleita.
Sinto o amor.
Mas não o escrevo, nunca mais, numa carta.
Escrevo-o com o meu sangue na raiz do tempo e das memórias.
E aqui.



















