sábado, 20 de junho de 2009
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Horas...
A esta hora
os pássaros
despertaram
encetando
o voo matinal,
entre raios de sol
que se abrigam, nas
nuvens da Vida.
A esta hora
o mar ondulou
na areia fina
entre os pés
da solidão...
A esta hora
que não é a de todas
as perfeições,
as pedras
gritaram
as ausências
sentidas...
os pássaros
despertaram
encetando
o voo matinal,
entre raios de sol
que se abrigam, nas
nuvens da Vida.
A esta hora
o mar ondulou
na areia fina
entre os pés
da solidão...
A esta hora
que não é a de todas
as perfeições,
as pedras
gritaram
as ausências
sentidas...
Poema na voz de
José-António Moreira in Sons da Escrita
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)
Imagem de Fefa Koroleva
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Vénus
porque me fazes falta, nunca confessarei
sempre tive à perna a minha consciência
é hoje que me livro dela
fiquei a saber que o planeta Vénus
é horrível, sem atmosfera e repleto
de ácidos sulfurosos
e todos sabemos que desde a antiguidade
também chamamos Vénus
à deusa do amor.
isto faz sentido?
então porquê o espanto
ao saber que até há pouco
eras só um nome, e agora
venero-te como deusa do Amor
enveneno-me
como num planeta tóxico
para mim és Vénus
e moras noutra galáxia.
c peres feio
Carcavelos 2009-06-03
segunda-feira, 25 de maio de 2009
O vento da utopia
É primavera.
No meu coração florescem
raízes de memórias
mescladas de rosas e jasmins
no perpétuo movimento
da engrenagem do tempo.
Um leve toque
um pequeno som
distinguem-se de
tantos sentimentos
que perduram no vento
da utopia.
Breve é o sonho
que nos aproxima.
Um sorriso
dilata a artéria
desta imensa vida,
onde nada se perde,
tudo se transforma,
até a existência perdida.
Imagem de autor desconhecido
terça-feira, 28 de abril de 2009
Há palavras...
Há palavras que nos beijam, como dizia O’Neill no seu poema de promessas, que nos transportam para lá de todo o sentido.
Há palavras que doem mais que setas atiradas sem imaginarem que alvos possam atingir.
Há palavras que trazem um pó mágico de alegria que se dão sem perguntarem para que são nascidas.
E há palavras que não são palavras, porque nada dizem, nada trazem e delas nada fica.
Frias, calculistas, intrusas de significados que se balançam de um lado para o outro, mascaradas de verdades mas que delas nada se retira, a não ser a poalha da estrada que o vento leva por outro caminho.
Não sei lidar com estas palavras, como não sei lidar com a frieza delas, com o medo do seu alcance, com a destruição dos pensamentos que cada palavra alberga em si…
Há palavras que doem mais que setas atiradas sem imaginarem que alvos possam atingir.
Há palavras que trazem um pó mágico de alegria que se dão sem perguntarem para que são nascidas.
E há palavras que não são palavras, porque nada dizem, nada trazem e delas nada fica.
Frias, calculistas, intrusas de significados que se balançam de um lado para o outro, mascaradas de verdades mas que delas nada se retira, a não ser a poalha da estrada que o vento leva por outro caminho.
Não sei lidar com estas palavras, como não sei lidar com a frieza delas, com o medo do seu alcance, com a destruição dos pensamentos que cada palavra alberga em si…
Nada sei dizer
da palavra
disputada
apodrecida
veloz
como espada espetada
no coração.
Palavras que o vento não leva.
Arrastam-se como estigma de frieza
mascaradas como verdades absolutas
nuas, dissimuladas
no perpétuo movimento
ousado, transcrito
onde permanecerão.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Onde...
Onde a poesia se exibe como um espectáculo espectacular
não é poesia
onde a audácia do poema não é única
não é poesia
onde a poesia não é inocência de natureza fluvial
não é poesia
onde a poesia não é escandalosamente pura
não é poesia
onde a poesia não é filha do deserto nem da sede
não é poesia
onde a poesia não é presença viva que nasce da solidão e da ausência
não é poesia
onde a poesia não se oferece no seu abandono
não é poesia
onde a poesia não é poesia
não é poesia
(António Ramos Rosa
in "O Sol é Todo o Espaço")
não é poesia
onde a audácia do poema não é única
não é poesia
onde a poesia não é inocência de natureza fluvial
não é poesia
onde a poesia não é escandalosamente pura
não é poesia
onde a poesia não é filha do deserto nem da sede
não é poesia
onde a poesia não é presença viva que nasce da solidão e da ausência
não é poesia
onde a poesia não se oferece no seu abandono
não é poesia
onde a poesia não é poesia
não é poesia
(António Ramos Rosa
in "O Sol é Todo o Espaço")
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Pássaro livre

Imagem de Mário Galante
Pelo vento eu sossego
as ideias,
no vento eu trago
os ideais e para o vento
eu levo as minhas palavras,
sou um pássaro livre
que voa intrépido
e se desilude
e se alegra na vida.
Sem vento também voo
com estas asas de paixão adiada
e também me iludo
e cubro a intemporalidade
num grito de liberdade!
(Poema de Paula Raposo in As Minhas Romãs)
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Fidelidade
Imagem de Markeva Uhlirova
Diz-me devagar coisa nenhuma, assim
como a só presença com que me perdoas
esta fidelidade ao meu destino.
Quanto assim não digas é por mim
que o dizes. E os destinos vivem-se
como outra vida. Ou como solidão.
E quem lá entra? E quem lá pode estar
mais que o momento de estar só consigo?
Diz-me assim devagar coisa nenhuma:
o que à morte se diria, se ela ouvisse,
(Poema de Jorge de Sena)
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Sonhos...
"...Podem roubar-se todos os sonhos. Mas não as recordações."Piedade Araújo Sol
Pintura de José Luis Alvarez Velez
Pintura de José Luis Alvarez Velez
Arrepiei-me ao ler aquelas palavras.
Não sei porquê… (ou talvez saiba) … os meus olhos encheram-se de lágrimas e revi tantos sonhos que já tive e que o tempo vai esfumando… mas as recordações permanecem como o Céu e a Terra irão permanecer para lá de tudo.
O cansaço da Vida não me impede, contudo, de continuar a querer sonhar e a descobrir que, na beleza da paisagem que os meus olhos abarcam, estão muitos dos meus sonhos, especialmente todos aqueles que não tive capacidade de realizar.
"O sonho comanda a vida" diz, António Gedeão na sua Pedra Filosofal.
Será assim?...
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Adormecida
Muitas vezes recebemos emails cujo conteúdo vale a pena ser partilhado, como aconteceu com este poema, enviado por A.H. que agradeço sensibilizada.
Imagem de Ana Muñoz"Ses longs cheveux épars la couvrent tout entière.
La croix de son collier repose dans sa main,
Comme pour témoigner qu’elle a fait sa prière,
Et qu’elle va la faire en s'éveillant demain."
(A. de Musset)
Uma noite, eu me lembro... Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão... solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.
'Stava aberta a janela. Um cheiro agreste
Exalavam as silvas da campina...
E ao longe, num pedaço do horizonte,
Via-se a noite plácida e divina.
De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras,
Iam na face trêmulos – beijá-la.
Era um quadro celeste!... A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia...
Quando ela serenava... a flor beijava-a...
Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia...
Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças...
A brisa, que agitava as folhas verdes,
Fazia-lhe ondear as negras tranças!
E o ramo ora chegava ora afastava-se...
Mas quando a via despeitada a meio,
P’ra não zangá-la... sacudia alegre
Uma chuva de pétalas no seio...
Eu, fitando esta cena, repetia
Naquela noite lânguida e sentida:
"Ó flor! – tu és a virgem das campinas!
"Virgem! – tu és a flor de minha vida!..."
("Adormecida", Poema de Castro Alves in "Espumas Flutuantes",1870)
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Dádivas de amor
(desligar, p.f. a música de fundo do blogue para ver e ouvir o vídeo)
Com permissão de Ana Sobral sua esposa e minha dilecta Amiga a minha homenagem póstuma a quem na blogosfera se assinava por AC, decorrido mês e meio do seu desaparecimento.
Obrigada AMIGO pelo privilégio do teu SER.
Obrigada AMIGO pelo privilégio do teu SER.
Na ausência partilhada
existe o silêncio amargo
como bola de fogo
que não se extingue.
Sonhos lapidados
alegrias esquecidas
delicadas lágrimas
em flores de amor
jamais floridas.
Nas ondas do sonho
imergi minhas emoções
numa melodia doce
onde as sensações se diluem
no corpo do poema
Um mistério.
Uma ternura.
Uma saudade.Dádivas de amor
na total cumplicidade dos dias idos.
domingo, 4 de janeiro de 2009
FELIZ 2009 PARA TODOS
(clicar p.f. para ouvir o vídeo)
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."[...]"
(pequeno excerto de "A Tabacaria"
de Álvaro de Campos/Fernando Pessoa)
Que os vossos sonhos se realizem.
É o meu desejo para 2009
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."[...]"
(pequeno excerto de "A Tabacaria"
de Álvaro de Campos/Fernando Pessoa)
Que os vossos sonhos se realizem.
É o meu desejo para 2009
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Palavras de Azevinho
Natal de malva
e linho
de ternura mosqueada
Onde no peito
faz ninho
e no coração se alaga
Na entrega e no refúgio
de memória deslumbrada
entre o sonhado e o lume
Natal no seu aprisco
perfumes
de seda e cassa
Pela calada do tempo
da infância
sendo imagem
Com palavras
de azevinho
e nas costas duas asas
Poema de Maria Teresa Horta,
Natal de 2008
a quem agradeço a gentileza do Poema.
domingo, 7 de dezembro de 2008
Eco da Imaginação
Pintura de Sandy Skoglund
...e ficam as saudades
dos momentos bons no coração
mar de ilusão
que percorre caminhos
verdejantes de emoção.
... e ficam os desejos
palavras acariciadas
uma a uma
no corpo fremente
ardente
de utopia em utopia
envolvem a raiz da língua
que sedenta de imaginação
acorda os valores da razão...
…e ficam nas palavras
o eco da imaginação…
mar de ilusão
que percorre caminhos
verdejantes de emoção.
... e ficam os desejos
palavras acariciadas
uma a uma
no corpo fremente
ardente
de utopia em utopia
envolvem a raiz da língua
que sedenta de imaginação
acorda os valores da razão...
…e ficam nas palavras
o eco da imaginação…
sábado, 22 de novembro de 2008
domingo, 16 de novembro de 2008
Dardos...
Este é um blogue de cariz muito pessoal, quase como que um “refúgio” para momentos nostálgicos como os dias de chuva…
Por isso, é com especial agrado que, aceitei o carinho que o Sopro Divino dedicou a este espaço ao atribuir o
Por isso, é com especial agrado que, aceitei o carinho que o Sopro Divino dedicou a este espaço ao atribuir o

Apesar de a maioria já saber o princípio porque se rege esta atribuição, aqui deixo a seguinte informação sobre o Prémio Dardos:
"Com o Prémio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras.
Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.
Quem recebe o "Prémio Dardos" e o aceita deve seguir algumas regras:
1. - Exibir a distinta imagem;
2. - Linkar o blog pelo qual recebeu o prémio;
3. - Escolher quinze (15) outros blogs a quem entregar o Prémio Dardos."
Seguindo as normas e não desvalorizando outros blogues que não poderei mencionar, repasso por ordem alfabética...
A Cidade Surpreendente - A Luz do Voo - Cleopatra Moon - De Propósito - Fragmentos Betty Martins - Imagem e Palavra - Lumife - Momentos Mágicos - Nunca Mais - O Montado -Pitanga Doce - Sai-te daqui - Sol de Domingo - Sombras de Mim - Todo o Mundo é um Palco
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Pergunto...
Pergunto o que é o segredo da vida, se
é que a vida tem algum segredo. Pelo
menos, quando se pergunta, é porque se
sabe que nem tudo se pode saber.
Mas quando não encontro resposta para
isso, e só as frases cortadas a meio insistem
em dar-me certezas, ponho em dúvida que
a vida tenha segredos para quem vive.
Ando à volta com o que sei e o que
não sei quando pergunto que segredo
tem a vida. Para além das árvores, para
cá do rio, o que interessa é o que não se vê.
Mas pode ser que não se precise de
perguntas para viver. Faço o que tem de ser,
sem responder, e sei o que faço, sem
perguntar, para este segredo revelar.
Poema de Nuno Júdice
é que a vida tem algum segredo. Pelo
menos, quando se pergunta, é porque se
sabe que nem tudo se pode saber.
Mas quando não encontro resposta para
isso, e só as frases cortadas a meio insistem
em dar-me certezas, ponho em dúvida que
a vida tenha segredos para quem vive.
Ando à volta com o que sei e o que
não sei quando pergunto que segredo
tem a vida. Para além das árvores, para
cá do rio, o que interessa é o que não se vê.
Mas pode ser que não se precise de
perguntas para viver. Faço o que tem de ser,
sem responder, e sei o que faço, sem
perguntar, para este segredo revelar.
Poema de Nuno Júdice
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Despertar *
Imagem reinert
* A João Batista do Lago a propósito do seu poema
Despertar
Neste instante a vida é-te oferecida.
Neste instante, em que da dor do parto
pariu-se a palavra que consagrou o poema,
a luz, como promessa divina, irrompe
através das sombras quebrando, uma a uma,
as rochas negras do teu caminho.
Dos instintos que norteiam teu coração,
abre as portas às dúvidas da inerência do teu ser,
porque as virgens, filhas do sol, iluminam o trilho,
mas és tu que transmitirás a chama que te ilumina.
A sabedoria do ser está em ti na visão remanescente
que te fica em cada instante dos teus instintos.
Ah… filhas do sol! Guardem
cada uma das vossas chaves, anelando
do desejo que da sombra se faça sol
e, no caminho iluminado da vida,
o sol derreta a rocha na evanescência
dos medos e das sombras e se transforme em Luz.
* A João Batista do Lago a propósito do seu poema
Despertar
Neste instante a vida é-te oferecida.
Neste instante, em que da dor do parto
pariu-se a palavra que consagrou o poema,
a luz, como promessa divina, irrompe
através das sombras quebrando, uma a uma,
as rochas negras do teu caminho.
Dos instintos que norteiam teu coração,
abre as portas às dúvidas da inerência do teu ser,
porque as virgens, filhas do sol, iluminam o trilho,
mas és tu que transmitirás a chama que te ilumina.
A sabedoria do ser está em ti na visão remanescente
que te fica em cada instante dos teus instintos.
Ah… filhas do sol! Guardem
cada uma das vossas chaves, anelando
do desejo que da sombra se faça sol
e, no caminho iluminado da vida,
o sol derreta a rocha na evanescência
dos medos e das sombras e se transforme em Luz.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Paixão
Richard Gere e Jennifer Lopez
Toque leve
do seu corpo
que entrelaça,
bolero
ou tango
que perpassa
Porque eles são
fogo
que incendeia
ilusão
que desnorteia
música que rodopia.
Atentos, o olhar no
olhar,
murmúrios alados
- maestro da harmonia –
num bailado sensual
que extasia.
Há dentro dos corpos uma chama
de sangue vermelho que clama
Paixão
Toque leve
do seu corpo
que entrelaça,
bolero
ou tango
que perpassa
Porque eles são
fogo
que incendeia
ilusão
que desnorteia
música que rodopia.
Atentos, o olhar no
olhar,
murmúrios alados
- maestro da harmonia –
num bailado sensual
que extasia.
Há dentro dos corpos uma chama
de sangue vermelho que clama
Paixão
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Apenas um momento
Quando a véspera
do mais prolongado sossego
me fere a solidão da infância
quero um momento,
apenas um momento,
para que o excesso de luz a prumo
amotine as palavras nos meus lábios
e as confunda com a quietude
urgente da paisagem.
De pulsos iluminados
poiso a voz no fundo da tristeza,
para expor a voz de outrora: no dia mais bonito
que vier irei, sem rumo algum, ao deus-dará,
procurar um lugar para morrer,
as vezes que eu quiser, até nascer sem dor.
Poema de Graça Pires
in "não sabia que a noite podia incendiar-se nos meus olhos",
pág. 38
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