Conheces o intervalo do silêncio,
a subtileza de uma música.
A palavra amor ou a palavra livro.
Escrevo,
No rumor da manhã um nome mágico,
como uma rosa perdida no frio ou da neblina.
O teu, talvez recuperado à pressa
das águas.
Escrevo,
Um cântico cibernético,
cintilante na cicatriz dos ventos. A árvore
de silêncios e presságios.
Por que
reconheces uma flor no desenho velocíssimo de uma asa.
O mar da tranquilidade nos nossos ventos.
Conheces: os livros por dentro, a demora
da sua gestação. Os livros que removem ou crescem,
na lava e nos fermentos.
Quando cresce a palavra fluente encantada nas árvores,
quando crescemos nós nos livros. Esse pão ou fruto
de tinta permanente a cavalo do tempo seguinte.
(Poema de José Laurindo Leal de Góis*)
Iniciou-se no jornalismo radiofónico nos anos 73-75. Revelou-se como poeta no "Suplemento 2000" e na página "Letras & Artes" do Jornal da Madeira, fundado e dirigido por José António Gonçalves, vindo, por este, a ser inserido nos quatro volumes antológicos de poetas madeirenses: Ilha (1975), Ilha 2 (1979), Ilha 3 (1991) e Ilha 4 (1994). Colabora com textos ensaísticos na "Margem" e na "Islenha", depois de ter participado na extinta "Atlântico".
Em 2003, estreou-se em edição individual com o livro de poesia O Fogo e a Lágrima (Campo das Letras, 2003).
Está representado na antologia Poeti Contemporani dell'Isola di Madera, organizada e traduzida para italiano por Giampaolo Tonini (Centro Internazionale della Grafica de Venezia, 2001). (enviado por email)


















