quinta-feira, 31 de julho de 2008

Palavras ridículas…



O Poeta escrevia:
“todas as cartas de amor são ridículas”…


E o riso morre no coração
que não derrama amor
dimensão infinita do sonho
contendo toda a grandeza
de um céu invadido de estrelas
no espelho que os deuses esculpiram
na face da lua onde as noites são límpidas
e transparentes como o sonho dos amantes

Eis a palavra que perdeu a memória
e da viagem por todo o universo, ela sente
o afiar dos espinhos que os dedos cobiçam
porque é no sangue derramado
que a palavra se solta
escrevendo o poema num grito do coração…




Pintura de Victor Ribeiro

quinta-feira, 1 de maio de 2008

terça-feira, 8 de abril de 2008

Nuvens...

Pintura de Sandra Bierman

Eram verdes de esperança
as nuvens do meu olhar
azul minha ilusão
e rosa o meu sonhar.

Como uma nuvem por mim
passaste e no silêncio da noite,
vislumbrei-te na escuridão
que largaste nas tuas palavras;
as lágrimas que deixaste no meu rosto
perscrutam o horizonte longínquo,
que outrora nos aproximou…

Adensam-se espessas nuvens
que num tornado dentro da minha alma,
gota a gota, deslizam no oceano da desilusão.

De que cor são as nuvens no teu olhar?
De que cor, as palavras que te saem do coração?

Por entre nuvens de dor e silêncio
se veste o meu olhar
nesta forma pueril de sentir e amar.

terça-feira, 25 de março de 2008

...

Após inúmeros pedidos de pessoas que de alguma forma estabeleceram um vínculo com o meu blogue, que por minha própria iniciativa tinha decidido eliminar, já que é minha intenção manter-me afastada da blogosfera, decidi por respeito a todas essas pessoas e, ainda mais, aos autores dos trabalhos que aqui vinha promovendo, activar o blogue mantendo-o para memória futura.
Aqui fica pois, o meu respeito e amizade por todos vós e o agradecimento, pelos inolvidáveis momentos que partilhámos.

Agradeço ainda, a prestimosa ajuda da
Piedade Araújo Sol, do Jeremias e do AC (que não quer ser identificado) na activação deste blogue, sem a qual, isso nunca seria possível.

Obriga
da a todos
Imagem Google

domingo, 9 de março de 2008

A Perenidade das Coisas

É sempre com uma imensa alegria no coração, que leio as mensagens que deixam nesta minha modesta página.
Hoje essa alegria foi maior, ao ler um pequeno poema, que foi deixado num comentário e que me encantou, pela sua enorme poética.
Aqui o partilho
Pintura de Gabriel Picart

Cantou uma só vez o rouxinol
Ao alvorecer
E tudo se suspendeu
Sem um querer.
Foi nesse curto espaço
Que vi ruir
O vigor, a sorte, o encanto.
Ó perene existir!



(Poema de Mário Matta e Silva)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Planeta Azul



Não sei 
se os meus olhos
soltam as tuas palavras.
Caminho no meio delas
acarinho-as docemente
danço ao som da valsa
que elas me fazem ouvir.

Quero ser
menina eterna
de azul vestida,
como o mar,
de asas de condor
e aprender a voar.

Leio-te
mas será que te entendo?

Será que vês o interior
da minha alma
que reflecte o meu coração
que te lê, mas não te vê?

Palavras
que fazem sonhar
ou que magoam
como pregos
espetados na
minha forma de amar.

Eis-me,
sensível,
tremente,
solitária
no meio
de tanta gente.

Eis-me,
de olhos abertos,
vendo,
lendo,
querendo.

Eis-me 
num Mundo 
que não criei
mas onde possuo
aquilo que mais amei.
Eis-me...
no teu planeta azul.


in, "Menina Marota Um Desnudar de Alma", 
pá,s  18/19, Papiro Editora


(memórias minhas...)

Imagem: Rita Isabel

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Alvores

Foz do Douro - Imagem de Carlos Silva


...e sempre o mar por perto; a estrela d'alva
terá como destino acolhedor
fazer desse mar um mar de amor
aos primeiros alvores da madrugada...
e que força tem e que esplendor
emerge, do dia que aparece
ao toque do sol, que entontece
as abelhas, pelas giestas desta vida!
Rompe então suave, quase dormida
da palidez marmórea do nascente
o encanto da cor aurea e quente
dum raio de luz; sol que beija
o mar ondulante e a carqueja
da costa mais agreste e alcantilada...
depois esvai-se em cor a madrugada
enquanto todo amor o mar arqueja!...

(Poema de
Maria Mamede in De Amor e de Terra)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Tudo o que ficou por dizer...

Pintura de Fabian Perez


Tudo o que ficou por dizer
porque de repente
era a hora do combóio
ou um telefone longínquo tocava
ou um qualquer acidente aconteceu.

Tudo o que ficou por dizer
porque o pudor calou a voz
porque um orgulho surdo a interrompeu
porque as palavras talvez já nem chegassem
ou era tarde
e o cansaço aos poucos foi levando a melhor.

Tudo o que ficou por dizer
porque a dor doía em demasia
e era necessário que as palavras
fossem capazes de ser claras como o ar
porque as palavras traem
como gumes de facas que nos cortam.

Tudo o que ficou por dizer
porque a tristeza apertou tanto a garganta
que nenhum som saía
nem o olhar continha
em desespero
uma lágrima ainda assim contida.

Tudo o que ficou por dizer
porque o tempo urgente
se esvaía
e de repente já não estava
no lugar a quem havia que o dizer
quem ainda há pouco nos ouvia.

Tudo o que ficou por dizer
e tudo
o que ficou por dizer
ou tudo
sempre
por dizer.


(Poema de Bernardo Pinto de Almeida)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Intervalo...


Imagem de Mariana Ximenes


O Universo é feito essencialmente de coisa nenhuma.
Intervalos, distâncias, buracos, porosidade etérea.
Espaço vazio, em suma.
O resto é matéria.
Daí, que este arrepio,
este chamá-lo e tê-lo, erguê-lo e defrontá-lo,
esta fresta de nada aberta no vazio,
deve ser um intervalo.

(António Gedeão in Máquina do Mundo)

domingo, 13 de janeiro de 2008

noite

Pintura de Andreas Dieberger

Noite que te interpões de permeio
entre a queda do poente
e o despontar da alvorada
Noite em que me perco e me enleio
numa teia entorpecente
tecida pela madrugada

Noite de náufragos à deriva
de tempestade escondida
nos gelos da solidão
Noite a do silêncio que abriga
uma angústia ressequida
nas cinzas duma canção

Noite companheira da incerteza
catapulta de ilusões
manto de sonho e de cio
Noite a fogueira sempre acesa
alimentando os vulcões
dos corpos em desvario

Noite onde germinam conversas
onde as palavras se perdem
em sílabas murmuradas
Noite o centro de mil promessas
que se compram que se vendem
e outras tantas adiadas

Noite tempo lento dum percurso
que vai do meu corpo ao teu
em dádivas de ternura
Noite o derradeiro recurso
de alguém que tal como eu
vive da noite a aventura

Noite com ela vens de mansinho
à alcova dos meus segredos
que vou partilhar contigo
Trazes da noite todo o carinho
que desliza entre os meus dedos
e adormeces comigo

(Poema de
Fernando Peixoto in Arca de Ternura)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Sonho... de uma noite que não existiu...

A música ainda soa nos meus ouvidos e o bater do coração testemunha os momentos vividos...
Cuidadosamente, retiro o longo vestido azul e coloco-o no cadeirão, enquanto num gesto suave, solto os cabelos presos no alto da cabeça, que caem revoltos sobre os ombros, enquanto um sorriso ilumina o meu rosto.
Recordo as suas mãos suaves no meu corpo, o cheiro agradável que dele emana quando me ergue nos seus braços sólidos e rodopia comigo a valsa que a orquestra entoa…
Olho-me no enorme espelho à minha frente e como num sonho revejo aqueles momentos, a música continua a tocar e eu deixo-me embalar pela melodia…
Sonhos… quem não os tem?


(p.f. desligar a música de fundo, para ver o vídeo)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

"Um poema escrito neste ano que chega ao fim"


Pintura de Picasso


pode ser só o que está escrito
no que é escrito sem o ser;

e só se escrevo que tudo está dito
sei o que o poema quer dizer:

ser escrito sem que tenha de o escrever,
dizendo só o que tive de dizer.

Nuno Júdice

domingo, 16 de dezembro de 2007

domingo, 9 de dezembro de 2007

Somewhere Over The Rainbow...

Versão original de Somewhere Over The Rainbow, interpretada por Judy Garland, que me foi gentilmente endereçada e que agradeço, desde já...


(Para ver o vídeo, por favor desligar a música de fundo)

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Era novembro


Almada Negreiros daqui




Pelo lado interior do tempo
assinalo, com traços de luz,
a cidade litoral onde nasci,
rente à fragilidade do outono.
Era novembro
e uma estranha sede
pairava sobre a terra,
ávida de líquidas paisagens,
quando minha mãe
me tomou nos braços
e disse: esta é a minha filha.
O seu corpo doía de tanta comoção.



Poema de Graça Pires, que aqui transcrevo com um grande abraço de parabéns pelo seu Aniversário

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Silêncio e Ternura...

Pintura de Daniel Plante

Entre nós
Há palavras
Desenhadas no
Silêncio da noite.
Entre nós
Há desejos
E carícias
Em cada palavra
Que se não
Pronuncia
Entre nós
Há muros de silêncios
Derrubados
Em cada maré
Que se adivinha…


Entre nós…
Permanecemos.




Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar 
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

...

Ausência, German Diaz

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Para todos os apaixonados...


(Para ver o vídeo, por favor desligar a música de fundo)


Há muito tempo já que não escrevo um poema
de amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.

Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor

(Poema de Miguel Torga)

domingo, 12 de agosto de 2007

Sinto...

Pintura de Francine Van Hove

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está de pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!


Poema de Fernando Pessoa

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Desafio...

Propus no meu último post, publicar o comentário que mais se aproximasse da interrogação que eu fazia:

Uma imagem e uma canção… que terão de comum?”

Pintura de Iman Maleki

Pois muito bem… a resposta que interpreta o sentir com que foi colocada tal pergunta, foi respondida pelo Manuel do Montado

"Tal como a canção de RC fala de baleias que as futuras gerações, caso as extingamos, só poderão ver "em velhos livros ou nos filmes dos arquivos dos programas vespertinos de televisão", a crescente poluição do planeta conduzirá a que num futuro já ali à frente, as crianças só conheçam o sol por desenhos. Já acontece assim na cidade mais poluída do planeta na China.
Assim entendi as duas mensagens." (ver o comentário no post anterior)
Pintura de Jackson Hensley

O homem é o único predador que mata por prazer, até os da sua espécie