Este texto é um levantar de véus…
Ando para escrevê-lo há muito…
Contudo, foi-se apoderando de mim um medo imenso de não ser capaz de transmitir o que sinto, de não saber mostrar que fazer amor pode ser um acto poético, tal como o êxtase pode ser um poema. Isto, porque quando se escreve, não é bem o que se faz mas sim o que se sente e se sonha.
Será que as palavras me vão sair fluentes?
(Será que o meu olhar vai alcançar o teu?)
(Será que as minhas mãos vão tocar as tuas, te vão tocar?)
As palavras serão apenas um meio para que possa ser escutado o que o meu olhar diz.
Porque é com o olhar que a grande festa começa.
Olhar, é já uma manifestação poética, como o são todas as manifestações da vida, sendo que a poesia é uma forma de estar vivo, e não apenas um aglomerado de símbolos numa folha de um livro ou de um pequeno caderno.
Olhar é penetrar o outro, é estabelecer essa corrente de conhecimento interior e vívido que o outro deseja deixar que se conheça, que o outro deixa que seja conhecido. Do qual, ambos desejam usufruir.
O olhar transforma-se e transforma-nos. As mãos encontram-se, passando a essência de um para o outro, desenhando-a em desenhos ousados nos corpos dos dois amantes.
À arte poética junta-se a pintura. E os corpos tornam-se telas impressionistas, difusas mas plenas de cor e de emoção.
Tudo resplandece à nossa volta.
Sonha-se a música.
Ela sai de nós em cada sussurro de amor, em cada gemido de prazer. E, em crescendo, acompanha a dança de dois corpos que se unem e se completam.
As mãos, imparáveis, tornam os gestos mais doces.
As carícias envolvem e fazem vibrar os corpos que se desejam.
E dois, em um se transformam.