domingo, 16 de dezembro de 2007
domingo, 9 de dezembro de 2007
Somewhere Over The Rainbow...
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Era novembro

Almada Negreiros daqui
Pelo lado interior do tempo
assinalo, com traços de luz,
a cidade litoral onde nasci,
rente à fragilidade do outono.
Era novembro
e uma estranha sede
pairava sobre a terra,
ávida de líquidas paisagens,
quando minha mãe
me tomou nos braços
e disse: esta é a minha filha.
O seu corpo doía de tanta comoção.
Poema de Graça Pires, que aqui transcrevo com um grande abraço de parabéns pelo seu Aniversário
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Silêncio e Ternura...
Entre nós
Há palavras
Desenhadas no
Silêncio da noite.
Entre nós
Há desejos
E carícias
Em cada palavra
Que se não
Pronuncia
Entre nós
Há muros de silêncios
Derrubados
Em cada maré
Que se adivinha…
Entre nós…
Permanecemos.
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Para todos os apaixonados...
(Para ver o vídeo, por favor desligar a música de fundo)
Há muito tempo já que não escrevo um poema
de amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.
Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor
(Poema de Miguel Torga)
domingo, 12 de agosto de 2007
Sinto...
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está de pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!
Poema de Fernando Pessoa
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
Desafio...
“ Uma imagem e uma canção… que terão de comum?”
"Tal como a canção de RC fala de baleias que as futuras gerações, caso as extingamos, só poderão ver "em velhos livros ou nos filmes dos arquivos dos programas vespertinos de televisão", a crescente poluição do planeta conduzirá a que num futuro já ali à frente, as crianças só conheçam o sol por desenhos. Já acontece assim na cidade mais poluída do planeta na China.
Assim entendi as duas mensagens." (ver o comentário no post anterior)
O homem é o único predador que mata por prazer, até os da sua espécie
domingo, 29 de julho de 2007
Interrogações...
Uma imagem e uma canção… que terão de comum?
(Desligar a música de fundo, para ouvir o vídeo, p.f.)
* O pintor iraniano Iman Maleki, génio do realismo, ganhou o prémio William Bouguereau e o Chairman´s Choise no II Concurso Internacional de Art Renewal Center. Muitos o consideram o melhor pintor de arte realista do mundo.
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Se eu pudesse...
Se eu pudesse atingir
a quietude das coisas simples,
a serenidade das harmonias mortas,
e dormitar na inconsciência
de tudo quanto não existe!
Se eu pudesse banir a melancolia,
porque me atormenta,
me afunda,
me reduz ao desespero de não saber viver!
Se eu pudesse perseverar em ser alegre,
fruir confiança
e reter na minha alma
somente os momentos divinos de prazer!
Viver só por viver!
Nada querer além da vida,
não devassar meu eu,
e embalar-me tranquilamente
na esperança
dos meus sonhos!Ah! Se eu pudesse adormecer!...
sábado, 14 de julho de 2007
Mar eterno...
os instantes que não vivi junto do mar. "
(Sophia de Mello Breyner Andresen)
Pela passagem do terceiro aniversário de Sophia Andresen, trago aqui um poema, em sua homenagem...
Contou-nos tempos templos e distâncias
Na deslumbrante transparência dos regressos
Falou-nos dos palácios e da sabedoria dos gregos
Cantou-nos deuses mitos e poetas
E marejou sob as velas dos portugueses
No oiro límpido de todos os poemas
Ensinou-nos a escutar o vento
O impulso cadenciado das ondas
O rumorejo cristalino das fontes
E a admirar o fulgor dos espelhos de água
Que incendeiam de brilhos as ilhas esmeraldinas
Exortou-nos a amar a lua e as estrelas
E o encanto nocturno do seu silêncio
E a apreciar a claridade e a nudez do dia
Nos reflexos de sol dos horizontes
Onde a paz se funde com a harmonia
Ensinou-nos a comungar a terra e as flores
E o balançar ritmado do feno e das espigas
A haurir o perfume dos pinhais e da maresia
A admirar o voo e o cântico das aves
E a maravilha das sombras e das cores
Onde a terra-mãe fala com as árvores
Falou-nos da paz que imana do amor e da verdade
E levou-nos às auroras onde mora o sol
E ao esplendor da justiça e da liberdade
Onde brotam as rosas do tempo inicial
Poema de Zénite
segunda-feira, 9 de julho de 2007
Doce Surpresa...
A uma amiga que seja.
Limpidez e terapia
A confidência ainda
No desespero do mundo.
Teus cabelos têm valia
De uma noitada linda
Com maravilhante magia
De luar fecundo.
Ah dulcíssima loucura
De sonetos vinicianos!
Em teu ar de candura
Moldura jura de planos
Assim de alheias dores
Lavassem-se dos desenganos
E em pacificantes cores
Neste ínterim
Amassem, SIM!
Poema de Freddy Diblu
domingo, 1 de julho de 2007
Musicalidade
Sob a musicalidade de teus dedos
percorrendo meu corpo,
sôfrego de ti....
transportas-me ao sonho,
revivendo momentos
de poesia sem fim.
Transporta-me ao sonho,
acolhe-me nos teus braços
numa valsa sagrada
que é o momento
em que me vejo
dentro de ti.
quinta-feira, 28 de junho de 2007
Vida
Nos meus olhos sinto o oceano desaguar lentamente no teu abraço e na minha pele depositas um longo beijo que abrasa o meu corpo, serenando o meu espírito repleto de ternura e no teu corpo me enlaço.
Desnudas o sonho da palavra que nada diz e o silêncio quebra-se, como rocha que não sente ternura, porque
no cruzamento
da vida
tantas vezes
vivida
alegre
doce
outras,
amarga e triste,
mas
aberta à alegria
do contentamento
em que a chuva
não apaga
as marcas
deixadas
numa vida
sentida
ao sabor
do destino
que não somos nós
que o criamos,
mas ajudamos
a existir.
quinta-feira, 7 de junho de 2007
terça-feira, 5 de junho de 2007
se a palavra dissesse exactamente o que diz
São assim, os caminhos intermináveis da blogosfera…
Se a palavra dissesse exactamente o que diz
nunca atingiria a cintilante transparência
que tem a frescura do que é novo e do que é frágil
Se ela tem o suave alvoroço do primeiro dia
é porque venceu a preguiça das raízes
e despertou no centro da argila
não para ser rosa pedra ou ave
mas para acariciar a distância ou um incerto lábio
Nunca poderá ser corola de ouro ou ânfora de lua
porque é frágil e oscila como uma asa de mercúrio
Mas a sua sede traça um ingénuo caminho
Ao ritmo de uma harpa de veias sussurrantes
(Poema de António Ramos Rosa)
sexta-feira, 1 de junho de 2007
Iniciação
Há os que vêm de longe, trazendo nas mãos
e nas pálpebras o mar exilado.
À porta descalçam as sandálias
gastas de inventariar o pó,
e antes que entrem na casa do poema
coroam-se de silêncio e silvas.
Percorrem depois longamente as paredes
fechando janelas onde não existem,
e rente à cegueira vão recolhendo as aves
que tropeçam na luz dos dedos.
Grandes rios negros atravessam a noite e os pulsos,
e as palavras doem nas unhas como espinhos acesos.
E há os outros, os que rondaram desde sempre
a casa sem se atreverem a entrar.
Falo dos que percorrem a lâmina do poema
medindo a eternidade pela distância
que vai dos lábios ao nome.
Dos que bebem as árvores entornadas nas palavras,
e esperam que dos gestos caiam os últimos deuses
destronados pelo rasgar dos frutos.
Falo dos que vêm do lado da loucura
e trazem na boca os olhos
com que quiseram acender todos os fogos.
Dos que viajam a cinza e o assombro,
demorando-se em tudo o que mais ninguém tropeça.
("Iniciação ao Remorso" de Jorge Melícias"A Mar Arte", 1998)
domingo, 27 de maio de 2007
ÊXTASE POÉTICO
Este texto é um levantar de véus…
Ando para escrevê-lo há muito…
Contudo, foi-se apoderando de mim um medo imenso de não ser capaz de transmitir o que sinto, de não saber mostrar que fazer amor pode ser um acto poético, tal como o êxtase pode ser um poema. Isto, porque quando se escreve, não é bem o que se faz mas sim o que se sente e se sonha.
Será que as palavras me vão sair fluentes?
(Será que o meu olhar vai alcançar o teu?)
(Será que as minhas mãos vão tocar as tuas, te vão tocar?)
As palavras serão apenas um meio para que possa ser escutado o que o meu olhar diz.
Porque é com o olhar que a grande festa começa.
Olhar, é já uma manifestação poética, como o são todas as manifestações da vida, sendo que a poesia é uma forma de estar vivo, e não apenas um aglomerado de símbolos numa folha de um livro ou de um pequeno caderno.
Olhar é penetrar o outro, é estabelecer essa corrente de conhecimento interior e vívido que o outro deseja deixar que se conheça, que o outro deixa que seja conhecido. Do qual, ambos desejam usufruir.
O olhar transforma-se e transforma-nos. As mãos encontram-se, passando a essência de um para o outro, desenhando-a em desenhos ousados nos corpos dos dois amantes.
À arte poética junta-se a pintura. E os corpos tornam-se telas impressionistas, difusas mas plenas de cor e de emoção.
Tudo resplandece à nossa volta.
Sonha-se a música.
Ela sai de nós em cada sussurro de amor, em cada gemido de prazer. E, em crescendo, acompanha a dança de dois corpos que se unem e se completam.
As mãos, imparáveis, tornam os gestos mais doces.
As carícias envolvem e fazem vibrar os corpos que se desejam.
E dois, em um se transformam.
domingo, 20 de maio de 2007
O Pássaro da Cabeça
Sou o pássaro que canta
dentro da tua cabeça
que canta na tua garganta
canta onde lhe apeteça
Sou o pássaro que voa
dentro do teu coração
e do de qualquer pessoa
mesmo as que julgas que não
Sou o pássaro da imaginação
que voa até na prisão
e canta por tudo e por nada
mesmo com a boca fechada
E esta é a canção sem razão
que não serve para mais nada
senão para ser cantada
quando os amigos se vão
E ficas de novo sozinho
na solidão que começa
apenas com o passarinho
dentro da tua cabeça.
(Poema de Manuel António Pina
in "Carta a um jovem antes de ser Poeta")
sábado, 12 de maio de 2007
O Amor e o Tempo
Pela montanha alcantilada
Todos quatro em alegre companhia,
O Amor, o Tempo, a minha Amada
E eu subíamos um dia.
Da minha Amada no gentil semblante
Já se viam indícios de cansaço;
O Amor passava-nos adiante
E o Tempo acelerava o passo.
– «Amor! Amor! mais devagar!
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não pode com certeza caminhar
A minha doce companheira!»
Súbito, o Amor e o Tempo, combinados,
Abrem as asas trémulas ao vento...
– «Por que voais assim tão apressados?
Onde vos dirigis?» – Nesse momento.
Volta-se o Amor e diz com azedume:
– «Tende paciência, amigos meus!
Eu sempre tive este costume
De fugir com o Tempo... Adeus! Adeus!»
(António Feijó in "Sol de Inverno")


















