quinta-feira, 16 de agosto de 2007
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Para todos os apaixonados...
(Para ver o vídeo, por favor desligar a música de fundo)
Há muito tempo já que não escrevo um poema
de amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.
Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor
(Poema de Miguel Torga)
domingo, 12 de agosto de 2007
Sinto...
Pintura de Francine Van Hove
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está de pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!
Poema de Fernando Pessoa
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está de pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!
Poema de Fernando Pessoa
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
Desafio...
Propus no meu último post, publicar o comentário que mais se aproximasse da interrogação que eu fazia:
“ Uma imagem e uma canção… que terão de comum?”
O homem é o único predador que mata por prazer, até os da sua espécie
“ Uma imagem e uma canção… que terão de comum?”
Pintura de Iman Maleki
Pois muito bem… a resposta que interpreta o sentir com que foi colocada tal pergunta, foi respondida pelo Manuel do Montado
"Tal como a canção de RC fala de baleias que as futuras gerações, caso as extingamos, só poderão ver "em velhos livros ou nos filmes dos arquivos dos programas vespertinos de televisão", a crescente poluição do planeta conduzirá a que num futuro já ali à frente, as crianças só conheçam o sol por desenhos. Já acontece assim na cidade mais poluída do planeta na China.
Assim entendi as duas mensagens." (ver o comentário no post anterior)
"Tal como a canção de RC fala de baleias que as futuras gerações, caso as extingamos, só poderão ver "em velhos livros ou nos filmes dos arquivos dos programas vespertinos de televisão", a crescente poluição do planeta conduzirá a que num futuro já ali à frente, as crianças só conheçam o sol por desenhos. Já acontece assim na cidade mais poluída do planeta na China.
Assim entendi as duas mensagens." (ver o comentário no post anterior)
Pintura de Jackson Hensley
O homem é o único predador que mata por prazer, até os da sua espécie
domingo, 29 de julho de 2007
Interrogações...
Dedicado a um Amigo que me recordou esta canção…
Uma imagem e uma canção… que terão de comum?
(Desligar a música de fundo, para ouvir o vídeo, p.f.)
* O pintor iraniano Iman Maleki, génio do realismo, ganhou o prémio William Bouguereau e o Chairman´s Choise no II Concurso Internacional de Art Renewal Center. Muitos o consideram o melhor pintor de arte realista do mundo.
Uma imagem e uma canção… que terão de comum?
(Desligar a música de fundo, para ouvir o vídeo, p.f.)
* O pintor iraniano Iman Maleki, génio do realismo, ganhou o prémio William Bouguereau e o Chairman´s Choise no II Concurso Internacional de Art Renewal Center. Muitos o consideram o melhor pintor de arte realista do mundo.
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Se eu pudesse...
Imagem de Stéphane Bulan
Se eu pudesse atingir
a quietude das coisas simples,
a serenidade das harmonias mortas,
e dormitar na inconsciência
de tudo quanto não existe!
Se eu pudesse banir a melancolia,
porque me atormenta,
me afunda,
me reduz ao desespero de não saber viver!
Se eu pudesse perseverar em ser alegre,
fruir confiança
e reter na minha alma
somente os momentos divinos de prazer!
Viver só por viver!
Nada querer além da vida,
não devassar meu eu,
e embalar-me tranquilamente
na esperança
dos meus sonhos!Ah! Se eu pudesse adormecer!...
sábado, 14 de julho de 2007
Mar eterno...
"Quando eu morrer, voltarei para buscar
os instantes que não vivi junto do mar. "
(Sophia de Mello Breyner Andresen)
os instantes que não vivi junto do mar. "
(Sophia de Mello Breyner Andresen)
Pela passagem do terceiro aniversário de Sophia Andresen, trago aqui um poema, em sua homenagem...
Imagem de autor desconhecido
Contou-nos tempos templos e distâncias
Na deslumbrante transparência dos regressos
Falou-nos dos palácios e da sabedoria dos gregos
Cantou-nos deuses mitos e poetas
E marejou sob as velas dos portugueses
No oiro límpido de todos os poemas
Ensinou-nos a escutar o vento
O impulso cadenciado das ondas
O rumorejo cristalino das fontes
E a admirar o fulgor dos espelhos de água
Que incendeiam de brilhos as ilhas esmeraldinas
Exortou-nos a amar a lua e as estrelas
E o encanto nocturno do seu silêncio
E a apreciar a claridade e a nudez do dia
Nos reflexos de sol dos horizontes
Onde a paz se funde com a harmonia
Ensinou-nos a comungar a terra e as flores
E o balançar ritmado do feno e das espigas
A haurir o perfume dos pinhais e da maresia
A admirar o voo e o cântico das aves
E a maravilha das sombras e das cores
Onde a terra-mãe fala com as árvores
Falou-nos da paz que imana do amor e da verdade
E levou-nos às auroras onde mora o sol
E ao esplendor da justiça e da liberdade
Onde brotam as rosas do tempo inicial
Poema de Zénite
Contou-nos tempos templos e distâncias
Na deslumbrante transparência dos regressos
Falou-nos dos palácios e da sabedoria dos gregos
Cantou-nos deuses mitos e poetas
E marejou sob as velas dos portugueses
No oiro límpido de todos os poemas
Ensinou-nos a escutar o vento
O impulso cadenciado das ondas
O rumorejo cristalino das fontes
E a admirar o fulgor dos espelhos de água
Que incendeiam de brilhos as ilhas esmeraldinas
Exortou-nos a amar a lua e as estrelas
E o encanto nocturno do seu silêncio
E a apreciar a claridade e a nudez do dia
Nos reflexos de sol dos horizontes
Onde a paz se funde com a harmonia
Ensinou-nos a comungar a terra e as flores
E o balançar ritmado do feno e das espigas
A haurir o perfume dos pinhais e da maresia
A admirar o voo e o cântico das aves
E a maravilha das sombras e das cores
Onde a terra-mãe fala com as árvores
Falou-nos da paz que imana do amor e da verdade
E levou-nos às auroras onde mora o sol
E ao esplendor da justiça e da liberdade
Onde brotam as rosas do tempo inicial
Poema de Zénite
segunda-feira, 9 de julho de 2007
Doce Surpresa...
O mundo virtual oferece-nos por vezes, momentos únicos de afabilidade e carinho, através de pessoas que apesar de não conhecerem pessoalmente, nos dedicam gestos, como o que aqui partilho…
Pintura de Delphin Enjorlas
A uma amiga que seja.
És o afago profundo
Limpidez e terapia
A confidência ainda
No desespero do mundo.
Teus cabelos têm valia
De uma noitada linda
Com maravilhante magia
De luar fecundo.
Ah dulcíssima loucura
De sonetos vinicianos!
Em teu ar de candura
Moldura jura de planos
Assim de alheias dores
Lavassem-se dos desenganos
E em pacificantes cores
Neste ínterim
Amassem, SIM!
Poema de Freddy Diblu
Limpidez e terapia
A confidência ainda
No desespero do mundo.
Teus cabelos têm valia
De uma noitada linda
Com maravilhante magia
De luar fecundo.
Ah dulcíssima loucura
De sonetos vinicianos!
Em teu ar de candura
Moldura jura de planos
Assim de alheias dores
Lavassem-se dos desenganos
E em pacificantes cores
Neste ínterim
Amassem, SIM!
Poema de Freddy Diblu
domingo, 1 de julho de 2007
Musicalidade
Pintura de Jan Thompson Dicks
Sob a musicalidade de teus dedos
percorrendo meu corpo,
sôfrego de ti....
transportas-me ao sonho,
revivendo momentos
de poesia sem fim.
Transporta-me ao sonho,
acolhe-me nos teus braços
numa valsa sagrada
que é o momento
em que me vejo
dentro de ti.
quinta-feira, 28 de junho de 2007
Vida
Nos meus olhos sinto o oceano desaguar lentamente no teu abraço e na minha pele depositas um longo beijo que abrasa o meu corpo, serenando o meu espírito repleto de ternura e no teu corpo me enlaço.
Desnudas o sonho da palavra que nada diz e o silêncio quebra-se, como rocha que não sente ternura, porque
no cruzamento
da vida
tantas vezes
vivida
alegre
doce
outras,
amarga e triste,
mas
aberta à alegria
do contentamento
em que a chuva
não apaga
as marcas
deixadas
numa vida
sentida
ao sabor
do destino
que não somos nós
que o criamos,
mas ajudamos
a existir.
quinta-feira, 7 de junho de 2007
terça-feira, 5 de junho de 2007
se a palavra dissesse exactamente o que diz
Passeava calmamente por entre as alamedas da blogosfera quando, ao entrar aqui deixei-me fascinar pelo conjunto que se me deparou. Mesmo sem "licença" da dona da casa, resolvi partilhar convosco este emocionante momento…
São assim, os caminhos intermináveis da blogosfera…
São assim, os caminhos intermináveis da blogosfera…
Se a palavra dissesse exactamente o que diz
nunca atingiria a cintilante transparência
que tem a frescura do que é novo e do que é frágil
Se ela tem o suave alvoroço do primeiro dia
é porque venceu a preguiça das raízes
e despertou no centro da argila
não para ser rosa pedra ou ave
mas para acariciar a distância ou um incerto lábio
Nunca poderá ser corola de ouro ou ânfora de lua
porque é frágil e oscila como uma asa de mercúrio
Mas a sua sede traça um ingénuo caminho
Ao ritmo de uma harpa de veias sussurrantes
(Poema de António Ramos Rosa)
sexta-feira, 1 de junho de 2007
Iniciação
Há os que vêm de longe, trazendo nas mãos
e nas pálpebras o mar exilado.
À porta descalçam as sandálias
gastas de inventariar o pó,
e antes que entrem na casa do poema
coroam-se de silêncio e silvas.
Percorrem depois longamente as paredes
fechando janelas onde não existem,
e rente à cegueira vão recolhendo as aves
que tropeçam na luz dos dedos.
Grandes rios negros atravessam a noite e os pulsos,
e as palavras doem nas unhas como espinhos acesos.
E há os outros, os que rondaram desde sempre
a casa sem se atreverem a entrar.
Falo dos que percorrem a lâmina do poema
medindo a eternidade pela distância
que vai dos lábios ao nome.
Dos que bebem as árvores entornadas nas palavras,
e esperam que dos gestos caiam os últimos deuses
destronados pelo rasgar dos frutos.
Falo dos que vêm do lado da loucura
e trazem na boca os olhos
com que quiseram acender todos os fogos.
Dos que viajam a cinza e o assombro,
demorando-se em tudo o que mais ninguém tropeça.
("Iniciação ao Remorso" de Jorge Melícias"A Mar Arte", 1998)
domingo, 27 de maio de 2007
ÊXTASE POÉTICO
Este texto é um levantar de véus…
Ando para escrevê-lo há muito…
Contudo, foi-se apoderando de mim um medo imenso de não ser capaz de transmitir o que sinto, de não saber mostrar que fazer amor pode ser um acto poético, tal como o êxtase pode ser um poema. Isto, porque quando se escreve, não é bem o que se faz mas sim o que se sente e se sonha.
Será que as palavras me vão sair fluentes?
(Será que o meu olhar vai alcançar o teu?)
(Será que as minhas mãos vão tocar as tuas, te vão tocar?)
As palavras serão apenas um meio para que possa ser escutado o que o meu olhar diz.
Porque é com o olhar que a grande festa começa.
Olhar, é já uma manifestação poética, como o são todas as manifestações da vida, sendo que a poesia é uma forma de estar vivo, e não apenas um aglomerado de símbolos numa folha de um livro ou de um pequeno caderno.
Olhar é penetrar o outro, é estabelecer essa corrente de conhecimento interior e vívido que o outro deseja deixar que se conheça, que o outro deixa que seja conhecido. Do qual, ambos desejam usufruir.
O olhar transforma-se e transforma-nos. As mãos encontram-se, passando a essência de um para o outro, desenhando-a em desenhos ousados nos corpos dos dois amantes.
À arte poética junta-se a pintura. E os corpos tornam-se telas impressionistas, difusas mas plenas de cor e de emoção.
Tudo resplandece à nossa volta.
Sonha-se a música.
Ela sai de nós em cada sussurro de amor, em cada gemido de prazer. E, em crescendo, acompanha a dança de dois corpos que se unem e se completam.
As mãos, imparáveis, tornam os gestos mais doces.
As carícias envolvem e fazem vibrar os corpos que se desejam.
E dois, em um se transformam.
domingo, 20 de maio de 2007
O Pássaro da Cabeça
Pintura de Youji Takeshige
Sou o pássaro que canta
dentro da tua cabeça
que canta na tua garganta
canta onde lhe apeteça
Sou o pássaro que voa
dentro do teu coração
e do de qualquer pessoa
mesmo as que julgas que não
Sou o pássaro da imaginação
que voa até na prisão
e canta por tudo e por nada
mesmo com a boca fechada
E esta é a canção sem razão
que não serve para mais nada
senão para ser cantada
quando os amigos se vão
E ficas de novo sozinho
na solidão que começa
apenas com o passarinho
dentro da tua cabeça.
(Poema de Manuel António Pina
in "Carta a um jovem antes de ser Poeta")
sábado, 12 de maio de 2007
O Amor e o Tempo
Pela montanha alcantilada
Todos quatro em alegre companhia,
O Amor, o Tempo, a minha Amada
E eu subíamos um dia.
Da minha Amada no gentil semblante
Já se viam indícios de cansaço;
O Amor passava-nos adiante
E o Tempo acelerava o passo.
– «Amor! Amor! mais devagar!
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não pode com certeza caminhar
A minha doce companheira!»
Súbito, o Amor e o Tempo, combinados,
Abrem as asas trémulas ao vento...
– «Por que voais assim tão apressados?
Onde vos dirigis?» – Nesse momento.
Volta-se o Amor e diz com azedume:
– «Tende paciência, amigos meus!
Eu sempre tive este costume
De fugir com o Tempo... Adeus! Adeus!»
(António Feijó in "Sol de Inverno")
quarta-feira, 9 de maio de 2007
Conto de Fadas
Fotografia de Olga Gouveia
O que te dizer quando nos olhos, como lágrimas se desprende
o que sinto por ti?
O que te escrever quando as palavras estão enfermas de erros
e enganos, e não afastam esta solidão que cresce dentro de mim?
resta-me este silêncio que sei incapaz de me trair, e que colho às mãos
cheias como no verão o jasmim, escrevo-te longas cartas que rasgo
logo a seguir, nados mortos em envelopes azuis por abrir.
um anão de vão de escada sorri, e um mandarim de pau na mão
certifica-se que não adormeci na vida que se projecta diante de mim
na alva parede que se fecha sobre os sonhos da minha infância,
onde outrora pintei um sol amarelo graffiti confiante e sorridente.
refugiam-se nas tocas os coelhos, bolas de pêlo saltitante de nariz fremente
e hesitante, como se a cada instante fosse necessário abalar a fugir.
provavelmente terão a sua razão, e pelo sim pelo não
telefono ao tubarão que me guia pela noite, num deslizar de águas mansas
tépidas e límpidas como cristal, recolho então as estrelas
e os cristais que Neptuno me oferece
e sou feliz enquanto não amanhece
e o despertador me atira da cama com um grito de urgência
e sou eu de novo adulto responsável
incapaz de verter uma lágrima ou de soltar um sentimento que não seja
picar o ponto e bater num teclado qwert que diante de mim boceja.
e ainda há quem não veja, que a felicidade se esconde por detrás de um
funcionalismo público que de um prédio dos subúrbios espreita
e que o poder de compra se vende em quiosques, estampado em revistas
de fundo cor de rosa, recheados com conselhos de uma madame de Cascais
ou na tinta suja dos jornais em letras gordas e garrafais. e os lustrosos
senhores do capital dizem-nos que temos de viver mal
para que a engrenagem não emperre, e a vida avança por entre prateleiras
de hipermercado devidamente embalada e pronta a consumir, que o tempo
escasseia e é preciso produzir, sempre a sorrir, sempre satisfeito
que se o humano não é perfeito, as máquinas inventaram-se para o corrigir.
atribuo-te um número binário, um cálculo matemático e hermético
para aferir o quanto gosto de ti, mas o sistema encravou e é preciso
reiniciar para prosseguir, salva-se o que se pode e digo-te baixinho:
amo-te princesa dos contos de fadas da minha infância
e de armadura reluzente armo-me com a espada do rei Artur
e vou caçar dragões para me distrair, da doença do mundo
que consiste em não saber sonhar ou sequer sorrir.
domingo, 6 de maio de 2007
No silêncio da terra ...
Óleo de Eric Drooker
No silêncio da terra. Onde ser é estar.
A sombra se inclina.
Habito dentro da grande pedra de água e sol.
Respiro sem o saber, respiro a terra.
Um intervalo de suavidade ardente e longa.
Sem adormecer no sono verde.
Afundo-me, sereno,
flor ou folha sobre folha abrindo-se,
respirando-me, flectindo-me
no intervalo aberto. Não sei se principio.
Um rosto se desfaz, um sabor ao fundo
da água ou da terra,
o fogo único consumindo em ar.
Eis o lugar em que o centro se abre
ou a lisa permanência clara,
abandono igual ao puro ombro
em que nada se diz
e no silêncio se une a boca ao espaço.
Pedra harmoniosa
do abrigo simples,
lúcido, unido, silencioso umbigo
do ar.
Aí
o teu corpo
renasce
à flor da terra.
Tudo principia.
(António Ramos Rosa in "A Pedra Nua"-1972)
quarta-feira, 25 de abril de 2007
A quietude de um abraço
Há falsos profetas a levante do destino.
É preciso fechar por dentro
as águas furtadas da sorte.
Emparedar os passos.
Não vá haver, por aí, interditos anjos,
a violentar-nos o andar.
Apenas o silêncio é comum às mãos
que acolhem todas as tempestades,
sem desviar os olhos da quietude de um abraço:
labirinto onde aceitamos ser felizes
sem qualquer condição.
Terra natal de todos os desejos.
Sudário das nossas solidões.
Poema de Graça Pires
quinta-feira, 19 de abril de 2007
Prémio Award Thinking Blogger
Só o carinho e a doçura da Lena para me tirar do período sabático a que voluntariamente me devotei e com este gesto demonstrar-lhe a amizade e o respeito que por ela tenho ao aceitar para este blogue, o Award Thinking Blogger, que desde já agradeço.

A aceitação implica que deverei indicar cinco outros blogues, sendo esta, a parte mais difícil, tendo em conta o grande carinho que me liga a inúmeros blogues.
Por ordem alfabética aqui estão…
Por ordem alfabética aqui estão…
Annie Hall
Pelo seu amor à natureza, bem patente no Outsider
Carlos Romão-A Cidade Surpreendente
Surpreendente é a sua página…
Isabel Filipe
Pela irreverência da sua arte
Licínia Quitério
O mistério das suas palavras decifráveis
Yardbird
Um passarinho que voa nos corações…
Pelo seu amor à natureza, bem patente no Outsider
Carlos Romão-A Cidade Surpreendente
Surpreendente é a sua página…
Isabel Filipe
Pela irreverência da sua arte
Licínia Quitério
O mistério das suas palavras decifráveis
Yardbird
Um passarinho que voa nos corações…
E como as regras são para se infrigir… deixo uma menção muito especial à
Wakewinha
Uma lutadora…
Fotografia da Annie Hall
Desenha em ti
cores vivas
de felicidade
mesmo que adiada
mesmo que não consentida
não deixes que o negro
tome conta de ti.
Exala o perfume
das flores
o aroma dos frutos
e pinta a Vida
de mil cores
mil pensamentos
felizes
audazes
coloridos.
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